Giselly Marchesi Bianchi - Livros Grátis

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE DESEMPENHO AMBIENTAL EM ESTRUTURAS DE MEMBRANA TENSIONADAS: ESTUDO DE CASO EM VITÓRIA-ES, NO PERÍODO DE VERÃO

Giselly Marchesi Bianchi

Orientador: Prof. Dr. Ing. Luiz Herkenhoff Coelho

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Espírito Santo, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Engenharia Civil.

Vitória Setembro de 2004

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AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE DESEMPENHO AMBIENTAL EM ESTRUTURAS DE MEMBRANAS TENSIONADAS: ESTUDO DE CASO EM VITÓRIA-ES NO PERÍODO DE VERÃO

GISELLY MARCHESI BIANCHI

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Engenharia Civil.

Aprovada em 23/09/2004.

________________________________________________ Prof. Dr. Ing. Luiz Herkenhoff Coelho (Orientador da Dissertação)

________________________________________________ Prof. Dr. Ing. João Luiz Calmon Nogueira da Gama (Examinador Interno)

________________________________________________ Prof. Dr. Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá (Co-orientador e Examinador Externo)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

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Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil)

_____________________________________________________________ Bianchi, Giselly Marchesi, 1977B577a

Avaliação das condições de desempenho ambiental em estruturas de membranas tensionadas: estudo de caso em Vitória-ES no período de verão / Giselly Marchesi Bianchi. – 2004. 126f. : il. Orientador: Luiz Herkenhoff Coelho. Co-Orientador: Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Tecnológico. 1. Conforto térmico – Condições em clima quente. 2. Acústica. 3. Iluminação. 4. Vitória (ES) – Aspectos ambientais. I. Coelho, Luiz Herkenhoff. II. Tibiriçá, Antônio Cleber Gonçalves. III. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro Tecnológico. IV. Título. CDU: 624

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A Deus e a minha família; sem eles tudo seria mais difícil.

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AGRADECIMENTOS

Ao professor Luiz Herkenhoff Coelho, pela orientação e compreensão em todos os momentos. Ao professor Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá, pelos ensinamentos decisivos e pela amizade. Ao professor João Luiz Calmon Nogueira da Gama, pela metodologia ensinada. Ao professor Reginaldo Vello Loureiro, pela presteza e auxílio no fornecimento de equipamentos de medição. Ao professor Maurício Lordêllo dos Santos Souza Filho, pelo empenho na confecção do suporte. Ao professor Gutemberg Brasil, pela assistência na elaboração do questionário. À minha família, em especial a Grasiele, pela força que me deu. Às estudantes Aline Uliana Fonseca e Lícia Mesquita Ramos pelo apoio no trabalho de campo. Aos amigos Marcelo Veronez, pelos valiosos ensinamentos, e Macksuel Soares de Azevedo, pela ajuda nas medições. Às amigas Viviane Amorim e Flávia Coutinho, por me acolherem e me auxiliarem em tudo no período em que estive em Viçosa. À Ariane e ao Anirton, familiares e funcionários do Restaurante Sombra do Mar, que generosamente permitiram que o estudo de caso se realizasse no citado restaurante e deram todo o apoio possível para as medições. À empresa Toldos Dias, em especial ao arquiteto Carlos Bauer, que se tornou um grande amigo. À empresa Tensotech, aos Srs. João Marcelo e Horácio, pela colaboração. À empresa Pistelli, pelos dados fornecidos. Às empresas Mehler, Verseidag e Ferrari, pela amostragem disponibilizada. Ao professor Rui Pauletti, pela entrevista e publicações, e ao professor Vinicius Arcaro, pelo auxílio nas referências. Ao professor. Walnório Graça Ferreira, pelo empenho em conseguir uma bolsa de estudos. Ao secretário do mestrado, Wilton Costa Drumond Souza, por viabilizar todas as minhas cartas e pedidos. Às secretárias Isabel Cristina Malheiros e Ibanês de Lourdes Pereira, pelo auxílio operacional. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela bolsa de estudo proporcionada. À UFES, especialmente ao PPGEC, por me acolher e tornar-me profissionalmente melhor. A todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a realização do trabalho.

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“... a fascinação dessas estruturas se dá por serem ativas, por parecerem estar a ponto de decolar e desaparecer como que por encanto. Vibrantes e sensuais, representam uma arquitetura viva, sempre em tensão, e, portanto, seus elementos constitutivos não podem ser débeis, pois poriam em risco todo o sistema...”. Aldo Capasso

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SUMÁRIO SUMÁRIO ............................................................................................................................................ vii LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................................ ix LISTA DE QUADROS .......................................................................................................................... xi RESUMO .............................................................................................................................................. xii ABSTRACT ......................................................................................................................................... xiii LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................................................ xiv 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................................1 1.1 Motivação para o estudo ..................................................................................................................1 1.2 Campo de interesse ..........................................................................................................................2 1.3 Problema ..........................................................................................................................................2 1.4 Delimitação do objeto de estudo......................................................................................................3 1.5 Objetivos..........................................................................................................................................3 1.5.1 Objetivo geral........................................................................................................................3 1.5.2 Objetivos específicos ............................................................................................................4 1.6 Estrutura da dissertação ...................................................................................................................4 2 REVISÃO DE LITERATURA .............................................................................................................5 2.1 Aspectos de comportamento tecnológico ........................................................................................5 2.1.1 Definições .............................................................................................................................5 2.1.2 Histórico................................................................................................................................5 2.1.3 Comportamento mecânico ..................................................................................................13 2.1.4 Aplicações ...........................................................................................................................18 2.1.5 Materiais .............................................................................................................................19 Especificações ..............................................................................................................................................22 Normas.......................................................................................................................................................22 2.1.6 Processo projetivo ...............................................................................................................25 2.1.7 Normas e legislações...........................................................................................................26 2.1.8 Manutenção .........................................................................................................................27 2.1.9 Custos..................................................................................................................................27 2.2 Aspectos de comportamento ambiental .........................................................................................29 2.2.1 Sistemas e desempenho.......................................................................................................29 2.2.2 Usuários ..............................................................................................................................32 2.2.3 Agentes ambientais relevantes ............................................................................................33 2.2.4 Aspectos projetuais .............................................................................................................37 2.2.5 Comportamento térmico .....................................................................................................38 2.2.6 Comportamento lumínico ...................................................................................................51 2.2.7 Comportamento acústico.....................................................................................................54 2.3 Aspectos metodológicos de avaliação pós-ocupação ....................................................................56 3 MATERIAIS E MÉTODOS ...............................................................................................................60 3.1 Introdução ......................................................................................................................................60 3.2 Local do estudo de caso .................................................................................................................61 3.3 Caracterização climática de Vitória ...............................................................................................63 3.4 Metodologia para coleta de dados nas duas etapas do experimento ..............................................65

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3.4.1 Levantamento quantitativo..................................................................................................65 3.4.2 Levantamento qualitativo....................................................................................................67 3.4.3 Análise dos dados ...............................................................................................................67 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................................69 4.1 Avaliação das variáveis ambientais ...............................................................................................69 4.1.1 Avaliação quantitativa ........................................................................................................69 4.1.2 Avaliação qualitativa ..........................................................................................................82 4.2 Avaliação dos aspectos estruturais ................................................................................................87 4.3 Avaliação dos aspectos arquitetônicos ..........................................................................................87 5 CONCLUSÕES...................................................................................................................................89 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................................92 GLOSSÁRIO .........................................................................................................................................97 ANEXOS..............................................................................................................................................100 ANEXO A ............................................................................................................................................101 ANEXO B ............................................................................................................................................102 ANEXO C ............................................................................................................................................103 ANEXO D ............................................................................................................................................105 ANEXO E ............................................................................................................................................106 ANEXO F.............................................................................................................................................109 ANEXO G ............................................................................................................................................110 ANEXO H ............................................................................................................................................111

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LISTA DE FIGURAS Figura 1. Tenda negra...............................................................................................................................6 Figura 2. Kibitka (Tenda cônica). ............................................................................................................7 Figura 3. Arena de Raleigh (1952). ..........................................................................................................7 Figura 4. Pavilhão de exposição de Kassel (1955). ..................................................................................8 Figura 5. (a) Pavilhão Alemão de Exposição de Cologne, 1957; (b) EXPO 67, Montreal, Canadá. .......9 Figura 6. Aeroporto Internacional de Denver (1993). ..............................................................................9 Figura 7. Aeroporto Haj Terminal em Jeddah, Arábia Saudita, 1982. ...................................................10 Figura 8. Vista frontal do Estádio Rei Fahd. ..........................................................................................11 Figura 9. Pavilhão do Rio Grande do Sul – IV Centenário de São Paulo, 1954. ...................................12 Figura 10. Vista frontal RodoShopping Paulínea, 2004. ........................................................................13 Figura 11. Vista do Anfiteatro da Igreja Batista em Fortaleza, 2003. ....................................................13 Figura 12. (a) Superfície anticlástica e (b) sinclástica............................................................................14 Figura 13. Dupla curvatura.....................................................................................................................15 Figura 14. Diversas formas que o sistema de coberturas de membrana tensionadas permite. ...............15 Figura 15. Corda, flecha e raio. ..............................................................................................................16 Figura 16. Malha estrutural. ...................................................................................................................19 Figura 17. (a) Malha tramada e (b) Malha sobreposta. ..........................................................................20 Figura 18. (a) e (b). Comportamento anisotrópico das fibras.................................................................20 Figura 19. Metodologia de projeto usando o conceito de desempenho. ................................................31 Figura 20. (a) Fluxo de ar com vegetação como barreira. (b) Fluxo de ar e interferência de ................36 vegetação. ...............................................................................................................................................36 Figura 21. Diversos comportamentos do fluxo de ar de acordo com as diversas formas da edificação. ................................................................................................................................................................37 Figura 22. Importância da atividade na definição das condições térmicas - atividade entre 100W e 200W para conforto ótimo entre 20° e 30°. ...........................................................................................41 Figura 23. Carta Bioclimática de Olgyay adaptada para habitantes de regiões de clima quente, em trabalho leve, vestindo 0,8 “clo”. ...........................................................................................................44 Figura 24. Nomograma de Temperatura Efetiva para pessoas normalmente vestidas, em trabalho leve. ................................................................................................................................................................45 Figura 25. (a) Nomograma de Índice de Conforto Equatorial. (b) Gráfico de conforto para indivíduos residentes em Cingapura ........................................................................................................................46 Figura 26. (a) Vista externa tenda modular (b) Vista interna tenda modular. ........................................49 Figura 27. (a) Pavilhão da Venezuela com cobertura fechada (b). Com cobertura aberta. ....................50 Figura 28. (a) Vista show room loja de móveis (b) Vista interna...........................................................50 Figura 29. Espectro de ondas eletromagnéticas. ....................................................................................51 Figura 30. Curva de sensibilidade do olho a radiações monocromáticas. ..............................................52 Figura 31. O ouvido e suas partes. .........................................................................................................54 Figura 32. A relação entre a avaliação pós-ocupação e as etapas do processo produtivo. .....................58 Figura 33. Inserção de Vitória-ES no mapa do Brasil............................................................................60 Figura 34. Vista da cobertura tensionada. ..............................................................................................61 Figura 35. Inserção urbana do tensionado. .............................................................................................61 Figura 36. Vista interna panorâmica do restaurante. ..............................................................................62 Figura 37. Planta de cobertura esquemática estudo de caso...................................................................62

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Figura 38. Detalhes: (a) pilar de eucalipto e (b) correntes. ....................................................................63 Figura 39. Corte longitudinal esquemático do estudo de caso. ..............................................................63 Figura 40. Temperaturas normais climatológicas de Vitória, de 1961 a 1990. ......................................64 Figura 41. Vista cavalete. .......................................................................................................................65 Figura 42. Temperaturas de bulbo seco área externa. ............................................................................70 Figura 43. Temperaturas de bulbo seco área interna. .............................................................................70 Figura 44. Esquema dos fenômenos térmicos na tensoestrutura. ...........................................................71 Figura 45. Ambiente da churrasqueira. ..................................................................................................72 Figura 46. Temperaturas de globo negro no ponto 11. ..........................................................................74 Figura 47. Temperaturas de globo negro no ponto 12. ..........................................................................74 Figura 48. Temperaturas de globo negro no ponto 13. ..........................................................................75 Figura 49. Umidades relativas do ar da área externa. ............................................................................76 Figura 50. Umidades relativas do ar da área interna. .............................................................................76 Figura 51. Iluminância média externa. Radiação difusa. .......................................................................79 Figura 52. Iluminância média interna. Radiação difusa. ........................................................................80 Figura 53. Nível de ruído - área externa.................................................................................................81 Figura 54. Nível de ruído - área interna. ................................................................................................82 Figura 55. Vista frontal de tensoestrutura. .............................................................................................87 Figura 56. Vista aérea tensoestrutura, onde visualiza-se o princípio da dupla curvatura.......................87 Figura 57. Planta de situação do restaurante Sombra do Mar (escala 1/5500).....................................101 Figura 58. Planta de situação do restaurante Sombra do Mar escala (1/2500).....................................102 Figura 59. Planta Baixa de restaurante Sombra do Mar e pontos de medição. ....................................103 Figura 60. Corte tensoestrutura – pontos de medição internos e respectivas alturas. ..........................104 Figura 61. Aplicação da carta bioclimática de Olgyay para condições de verão, no horário de 8h às 18h. associado ao metabolismo de um homem adulto vestindo aproximadamente 0,8 clo e gerando ≈123W por atividade e ≈16W pelos pratos quentes servidos...............................................................109

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LISTA DE QUADROS Quadro 1. Síntese das características de algumas lonas utilizadas na confecção de tensoestruturas. ................................................................................................................. Erro! Indicador não definido. Quadro 2. Custos médios entre os tecidos têxteis para uso em tensoestruturas. ....................................28 Quadro 3. Valores de iluminância para céu parcialmente encoberto (parcialmente nublado), para dias típicos de verão, em Vitória-ES, em planos verticais.............................................................................52 Quadro 4. Quadro das normais climatológicas de Vitória-ES, de 1961 a 1990. ....................................64 Quadro 5. Condições do céu. .................................................................................................................67 Quadro 6. Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo ..................................................................77 Quadro 7. Percentual médio de transparência em membranas. ..............................................................79 Quadro 8. Resultados da pesquisa de satisfação realizada no Restaurante Sombra do Mar. .................86 Quadro 9. Limites de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço. ..........................................................110

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RESUMO Atualmente, com os avanços tecnológicos e a rapidez com que as mudanças de todos os gêneros são transmitidas de forma global, conceitos como reciclagem, desmontabilidade e flexibilidade tornaram-se imprescindíveis. Um reflexo desse aspecto na arquitetura e na construção civil é a busca incessante por novos materiais, novas tecnologias e novas formas. Respondendo a essa demanda, as estruturas de membranas tensionadas, ou tensoestruturas, surgem como uma alternativa projetiva. Essas estruturas podem ser definidas como aquelas constituídas por membranas delgadas e flexíveis, tracionadas, agindo simultaneamente como estrutura e cobertura. As membranas são filamentos fibrosos, normalmente trançados e com protensão, com revestimentos e aditivos. Características como desmontabilidade, aparências espacial e lumínica, evocação simbólica e vencimento de grandes vãos são apresentadas por estas estruturas e, muitas vezes, os tensionados tornam-se a única solução projetual. Como as membranas são superfícies delgadas, elas apresentam características diferentes dos materiais de construção tradicionais. A sua utilização em países de clima tropical, como o Brasil, requer conhecimentos de suas propriedades térmicas, lumínicas e acústicas, visando a alcançar as condições de conforto ambiental requeridas pelos usuários. Neste trabalho, foram tratadas as características das membranas e avaliados os aspectos ambientais relacionados a uma estrutura de membrana tensionada, tendo como estudo de caso um restaurante existente em Vitória, ES. Os resultados da pesquisa são um suporte teórico e experimental para engenheiros, arquitetos, estudantes e profissionais da construção civil que trabalham com esse sistema construtivo que, apesar de intensamente aplicado no exterior, ainda está em fase de amadurecimento no País.

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ABSTRACT Technological advances and quickness changes around the World are making concepts as recycle, dismountability and flexibility become indispensable. A consequence to architecture and civil construction is the incessant search for news materials, new technologies and news shapes. Answering this demand, the membrane structures are presented as a good design alternative. These structures are constituted by a flexible and very thin membrane tensioned, acting simultaneously as structure and roof. The membranes are yarns fibrous with initial tension stress, with coating and additives. Characteristics as dismountability, spatial appearances, lighting, symbolic evocation and possibility to be used as large spans made that the tensioned structures became a good design solution. As the membranes are thin surfaces, its characteristics are different of the traditional materials of construction. The utilization in tropical countries like Brazil requires knowledge of the thermal behavior, lighting and acoustics characteristics, aiming achieve the environmental conditions comfort demanded by the users. This paper presents a research on the characteristics of the membranes and evaluates the environmental aspects related to it and presents a case of an existing structure in Vitória, Brazil. The results from this research are theoretical and experimental basis for engineers, architects, students and professionals of civil construction, that work with that constructive system that, despite of intensely applied in the outside, still is in phase of grow up in the Country.

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LISTA DE ABREVIATURAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas APO – Avaliação Pós-Ocupação ASHRAE – American Society of Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers ASTM – American Society for Testing and Materials CIB – International Council for Research and Innovation in Building and Construction DIN – Deutsches Institut für Normung DNM – Departamento Nacional de Meteorologia IBUTG – Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo ICE – Índice de Conforto Equatorial IHVE – Institution of Heating and Ventilating Engineers ISO – International Organization for Standardization LABEEE – Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (UFSC) NBR – Normas Técnicas Brasileiras NHO – Normas de Higiene Ocupacional (Fundacentro) NR – Normas Regulamentadoras (Ministério do Trabalho) NFPA – National Fire Protection Association PMV – Predicted Mean Vote PPD – Predicted Percentage of Dissatisfied P4SR – Previsão da Produção de Suor em 4 horas TBS – Temperatura de Bulbo Seco TBU – Temperatura de Bulbo Úmido TGN – Temperatura de Globo Negro UR – Umidade Relativa do Ar

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INTRODUÇÃO

Motivação para o estudo A indústria da construção civil tem procurado investir na implementação de estratégias de modernização do setor e, para isso, a racionalização construtiva tem um papel fundamental para a sua evolução tecnológica. Nessa direção, a busca por sistemas total ou parcialmente pré-fabricados é uma necessidade (Pereira, 2001). O ato de especificar um determinado sistema implica em conhecê-lo e a seus subsistemas, pois só assim o projetista consegue utilizá-lo no seu estado mais completo, ou seja, explorando as propriedades de seus materiais, criando formas espaciais inusitadas e atendendo a demanda maior a que a edificação se destina: um ambiente construído confortável para o usuário. Nesse contexto, encontram-se as estruturas de membrana tensionadas1 empregadas como coberturas, usualmente denominadas tensoestruturas, que fazem parte de um sistema construtivo de características peculiares. As estruturas de membrana tensionadas são construções relativamente novas2, se comparadas aos sistemas construtivos tradicionais. Estudadas há aproximadamente 50 anos, várias são as pesquisas científicas ainda requeridas para um completo repertório sobre o assunto. Por suas características projetuais passarem por processos totalmente diferentes das construções tradicionais, uma vez que desde a fase inicial busca-se a forma adequada e a resistência às solicitações, os estudos científicos das tensoestruturas ainda estão mais focados na estabilidade estrutural e no desenvolvimento de programas computacionais. Entende-se 1

As estruturas de membrana tensionadas empregadas como coberturas, são sistemas construtivos formados principalmente pela membrana estrutural. As membranas estruturais são mantas flexíveis, em geral de materiais sintéticos como o poliéster e a fibra de vidro e revestimentos em PVC e PTFE, que resistem aos esforços devido a sua forma, as suas características físicas e ao seu pré-tracionamento no processo de produção (Oliveira e Barbato, 2002). 2 Considera-se que o efetivo estudo das tensoestruturas para a construção civil foi iniciado nos anos 50 por Frei Otto (Freitas, 2002).

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que, em parte, isso se deve às dificuldades atreladas às estruturas de membrana tensionadas e aos seus comportamentos físico e geométrico. A motivação para o estudo se deu em função dessa carência de trabalhos científicos, sobre tensoestruturas, detectada e, o direcionamento dado foi o enfoque ambiental e a adaptabilidade desse sistema construtivo em países quentes como o Brasil.

Campo de interesse Um aspecto de grande interesse, ainda carente de estudos, e com um vasto campo a se explorar, é o comportamento ambiental das tensoestruturas em países de clima quente, como o Brasil, visto que países de maior tradição nessa tecnologia, como Alemanha, EUA e Japão, possuem climas temperados e frios, em geral. Fatores físicos, fisiológicos e psicológicos intervêm na percepção humana do ambiente climático (Miller-Chagas, apud Oliveira, 1993). Dentre os agentes ambientais físicos, o clima, o ruído, a poluição da atmosfera, são os que mais influenciam o comportamento e o bem-estar dos usuários nos espaços construídos. Como não existe um material ou tecnologia ideais para uma dada construção ou para uma zona climática específica, as qualidades intrínsecas de um sistema construtivo podem ser mais compatíveis com certas condições ambientais do que com outras: a escolha da tecnologia a ser utilizada numa construção deve passar, em primeiro lugar, pela observação da adaptabilidade desta ao ambiente a que se destina (Freitas, 2002). Face a esse conjunto de elementos que influem no projeto e no uso de estruturas de membrana tensionadas e às condições climáticas brasileiras, esta pesquisa, além de contribuir para reduzir a lacuna existente, no Brasil, nesse setor da construção civil, também permitirá fornecer subsídios a profissionais e interessados no processo construtivo com membranas tensionadas.

Problema A importação de uma tecnologia construtiva deve ser feita adaptando-a para o clima, os usuários e a cultura do local em questão, atendendo assim a habitabilidade necessária, além das condições de salubridade requeridas.

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Assim, considerando-se a implantação das tensoestruturas em climas quentes, as seguintes questões balizaram a pesquisa: 

Como o microclima interno da tensoestrutura se relaciona com o microclima externo?



Quais são as propriedades da membrana mais relevantes para o seu desempenho ambiental?



Que formas de tensoestruturas podem melhor atender à sua implantação em climas quentes?



Quais são as vantagens das tensoestruturas em relação a outros sistemas?



Que elementos o projetista poderia utilizar para uma efetiva adaptabilidade do tensionado em climas quentes?

Delimitação do objeto de estudo A pesquisa enfocando a questão do comportamento ambiental em tensoestruturas, também agrega aspectos tecnológicos e legais. Para isso, três aspectos foram objeto de estudos: 

o comportamento tecnológico, como a definição de tensoestruturas e seus desdobramentos até a manutenção;



o comportamento ambiental, como a seleção dos agentes ambientais relevantes e também os diversos comportamentos em questão como o térmico, o lumínico e o acústico, com foco na edificação e no usuário;



os elementos metodológicos de avaliação pós-ocupação (APO).

Para estudo de caso, como forma de observar a adaptabilidade de uma tensoestrutura em locais de clima quente e estabelecer relações e inter-relações ambientais, tecnológicas e normativas/legais, recorreu-se a um levantamento quali-quantitativo no restaurante Sombra do Mar, no bairro Mata da Praia, na cidade de Vitória, ES.

Objetivos

Objetivo geral Relacionar os aspectos ambientais com uma tensoestrutura, quali-quantitativamente, para conhecer seu comportamento em climas como o de Vitória-ES, gerando assim, condições de

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se estabelecer bases e recomendações projetuais para a concepção e a instalação de estruturas de membrana tensionadas em regiões de clima quente.

Objetivos específicos Os objetivos específicos são:  analisar a bibliografia sobre a temática da pesquisa, principalmente quanto ao comportamento de estruturas de membrana tensionadas;  examinar os agentes ambientais e avaliar as condições de exposição em Vitória-ES, especialmente quanto ao desempenho ambiental das estruturas tensionadas e a sua repercussão nas condições de conforto para os usuários;  realizar medições ambientais (térmicas, lumínicas e acústicas) em estudo de caso e pesquisa de satisfação com os usuários, utilizando a metodologia de APO.

Estrutura da dissertação Inicialmente, no capítulo um, o assunto é introduzido e delimitado, apresentando-se a motivação para o estudo, o campo de interesse, a situação-problema e os objetivos geral e específicos. O capítulo dois versa sobre a literatura revisada dando ênfase aos aspectos de comportamento tecnológico e ambiental das tensoestruturas e aos aspectos metodológicos de avaliação pósocupação. No capítulo três demonstram-se os materiais e métodos utilizados no experimento prático. No capítulo quatro resultados são avaliados nos âmbitos ambientais (quantitativo e qualitativo), estruturais e arquitetônicos. Finaliza-se com o capítulo 5 que expõe as conclusões do estudo e recomendações para o estudo de caso e para projetos posteriores.

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REVISÃO DE LITERATURA

Aspectos de comportamento tecnológico

Definições As coberturas de membrana tensionadas ou tensoestruturas são estruturas constituídas por membranas nas quais atuam esforços apenas de tração. Por possuírem parede com espessura muito fina, as membranas não oferecem resistência à compressão e à flexão. Oliveira e Barbato (2002) acrescentam que as membranas estruturais são folhas flexíveis que resistem às ações devido a sua forma, a suas características físicas e a seu pré-tracionamento. O princípio estrutural das tensoestruturas é o mesmo utilizado nas pontes pênseis, nas malhas estruturadas, ou nas estruturas pneumáticas. Nesta pesquisa, o enfoque será apenas as coberturas tensionadas de membrana. Segundo Leonard, apud Oliveira e Barbato (2002), as estruturas tensionadas podem ser basicamente divididas em duas grandes classes. As estruturas de cabo, formadas por elementos estruturais tracionados de linha, e as estruturas de membrana, formadas por elementos estruturais tracionados de superfície.

Histórico Pode-se afirmar que o histórico das tensoestruturas está atrelado ao desenvolvimento das tendas. Em sítios arqueológicos encontrados na região da Ucrânia, foi constatado que abrigos eram construídos com ossos de mamute, sendo utilizados como estrutura, e peles de animais, sendo usadas como cobertura (ASCE, 1996). Desde a Idade Antiga que as tendas são empregadas em atividades transitórias móveis, como campanhas militares, circos e festas campestres. Existem registros iconográficos dos assírios e dos egípcios. Exércitos persas utilizavam tendas em guerras contra os gregos (Pauletti, 1999).

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Na Grécia Clássica, toldos de tela eram utilizados sobre os anfiteatros como proteção e também para melhorar a acústica dos locais (Roland, 1965). Por intermédio dos gregos, o uso das tendas transmitiu-se aos romanos. Os romanos utilizavam velum ou velaria – trama feita a partir de linhas de tecido - em substituição às peles de animais. As coberturas eram empregadas sobre teatros, praças e ruas para protege-los de chuva e do sol. As estruturas se baseavam em técnicas navais, as quais, muitas vezes, possuíam sistemas retráteis (Simões, 2002b). Deve-se destacar a tenda negra (Figura 1) que, por possuir rigidez garantida pela protensão do tecido de cobertura, é o tipo que mais se aproxima do principio anticlástico das tensoestruturas atuais, em termos de forma e de funcionamento estrutural. O material e o escalonamento da tenda são citados como fatores importantes na estabilidade dos suportes.

Tenda negra. Fonte: ASCE, (1996).

Originária da região asiática entre o Irã e o Afeganistão, a tenda negra disseminou-se pelo Oriente Médio e norte da África, desde as invasões árabes do século VII até os dias atuais. Do ponto de vista ambiental, essa tenda possui eficiência para climas quentes e áridos, visto que as aberturas da trama do tecido permitem passagem de ar e ao mesmo tempo tem-se um sobreamento. O baixo pé-direito e a baixa inclinação contribuem para resistir aos fortes ventos dos climas desérticos (ASCE, 1996; Mollaert, 2002). As tendas cônicas dos povos nórdicos (Figura 2), por uma questão de adaptabilidade ao meio ambiente, possuem forma diferente. A grande inclinação dificulta o acúmulo de neve, e uma clarabóia central funciona como chaminé natural expelindo o fluxo de fumaça gerado pela fogueira interna (Mollaert, 2002).

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Kibitka (Tenda cônica). Fonte: ASCE, (1996).

Houve pouco desenvolvimento das tendas entre o tempo dos romanos e o século XIX: em parte por causa da carência de demanda, mas principalmente por causa da carência de avanços na manufatura de cabos, tecidos e conexões resistentes. Porém, depois da Revolução Industrial houve uma demanda por tendas grandes (utilizadas para o entretenimento de populações, como os circos, e para abrigos militares) e por materiais de grande resistência, com produção em massa e relativamente baratos (Kronenburg, 1995). No período moderno, pode-se associar o desenvolvimento das tensoestruturas ao desenvolvimento de pontes pênseis e estaiadas. A Arena de Raleigh (Figura 3) de 1952, um parque de exposições na Carolina do Norte (EUA) concebido por Mathew Nowick, é apontada como marco fundamental na modernidade das tensoestruturas, visto que nesta obra introduziu-se o princípio de superfícies anticlásticas protendidas. A cobertura da Arena de Raleigh possui a forma de um parabolóide hiperbólico com vão de 95m, e consiste de dois conjuntos de cabos de aço, praticamente ortogonais entre si (Laginha, 2002).

Arena de Raleigh (1952). Fonte: Drew, apud Pauletti (2003).

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A constatação, a partir da Arena de Raleigh, de que as superfícies anticlásticas retesadas eram dotadas de grande estabilidade, frente a carregamentos aerodinâmicos, influenciou os projetistas de todo o mundo durante as décadas seguintes, inclusive o arquiteto Frei Otto, que teve contato, em visita aos EUA ainda estudante, com o projeto da Arena de Raleigh (Pauletti, 2003). Dois acontecimentos foram cruciais no desenvolvimento das tensoestruturas. O arquiteto e engenheiro Frei Otto, em 1957, funda o Centro de Desenvolvimento de Construções Leves em Berlim, seguindo em 1964 para a criação do Instituto de Estruturas Leves na Universidade de Stuttgart (ASCE, 1996). Otto começou experimentando com formas leves e fazendo testes em modelos em escala com materiais como sabão (a estrutura estaria estável se formasse uma película de espuma na malha estrutural), cabos e as membranas de elástico que ele usava para tensionar. Um dos primeiros projetos foi simples, porém muito belo: um pequeno Pavilhão Musical para a Exposição Federal de Jardins, em Kassel (Alemanha), em 1955 (Figura 4).

Pavilhão de exposição de Kassel (1955). Fonte: Kronenburg, (1995).

Entretanto, a partir de Kassel nasceu uma geração de coberturas tensionadas para apresentações em jardins, as quais introduziram uma sucessão de novas idéias sobre formas, técnicas de montagem, métodos de tensionamento, materiais e conexões, como o Pavilhão Alemão de Exposição, em Jardim de Cologne, e o Pavilhão Alemão da EXPO 67, em Montreal - Figuras 5a e 5b - (Kronenburg, 1995). Pauletti (2003) ressalta que as dificuldades analíticas postas pelo comportamento não-linear das estruturas e a ausência de materiais adequados retardaram o uso moderno de estruturas retesadas. Em relação aos materiais, pode-se afirmar que apenas com os aços de alta resistência, surgidos a partir do século XIX, e dos materiais compósitos e sintéticos do século XX é que a qualidade das estruturas tensionadas puderam ser exploradas e essas se transformaram num produto durável.

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(a) (b) (a) Pavilhão Alemão de Exposição de Cologne, 1957; (b) EXPO 67, Montreal, Canadá. Fonte: Kronenburg, (1995).

Como resultado de avanços técnicos na tecnologia têxtil, há exemplos de construções de grande escala, com excelente resistência a incêndio e com expectativas de vida de vinte e cinco anos ou mais. Como exemplo citam-se: 

Aeroporto Internacional de Denver, Colorado, EUA, 1993 (Figura 6). Arquitetos: C. W. Fentress, J.H. Bradburn & Associados. Projeto: Horst Berger. Fabricação e construção: Birdair.

Aeroporto Internacional de Denver (1993). Fonte: Araújo e Ricardo, (2002b).

Esse projeto caracteriza-se por buscar formalmente equilíbrio com as Montanhas Rochosas que se destacam ao fundo da obra. Ocupa uma área de aproximadamente 21.000m2, medindo 300mx70m (Araújo e Ricardo, 2002b). Para adaptar-se ao clima local, que possui ventos fortes e queda de neve, o projetista utilizou-se de lona em fibra de vidro com revestimento em politetrafluoretileno (PTFE) e Teflon em duas camadas separadas de 60cm entre si. A camada interna gera isolação térmica e absorção acústica (ASCE, 1996).

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Para unir os fechamentos laterais da cobertura, o projetista trabalhou tubos inflados no perímetro das paredes de vidro. Essa solução se deu para permitir as diferentes movimentações sofridas pelas paredes e pela cobertura. Os tubos são inflados por uma bomba e possuem um sistema de válvulas para controle dos diâmetros em caso de dilatações estruturais, variando em até 1m (Berger, 1999). A cobertura, ancorada numa construção convencional, possui contraventamentos para suportar a sucção do vento. 

Aeroporto Haj, Jeddah, Arábia Saudita, 1982 (Figura 7). Projeto: Skidmore-Owings-Merril. Consultor: Horst Berger.

Aeroporto Haj Terminal em Jeddah, Arábia Saudita, 1982. Fonte: ASCE, (1996).

É a maior cobertura de membranas até o presente momento (2004). A estrutura, concluída em 1981, consiste em 21 módulos de membranas quase cônicas, em base quadrada com 45m de lado, cobrindo aproximadamente 42.000m2 (ASCE, 1996). Teve como conceito comportar-se como um oásis no deserto. Prova disso é que estando a temperatura externa na faixa de 55°C, internamente tem-se uma temperatura de 27°C, sendo de 7% a transmissão de radiação solar e de 75% a reflexão solar (Mollaert, 2002). Contribui para essa condição interna de conforto higrotérmico, o projeto de uma tensoestrutura apoiada sobre pilares com 46m de altura (Berger, 1999). 

Estádio Rei Fahd, Riyadh, Arábia Saudita, 1986 (Figura 8). Arquiteto: Ian Fraser, John Roberts & Partners, Londres. Projeto: Geiger Berger Assoc. P. C. NY, EUA. Fabricação e Montagem: Birdair.

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Vista frontal do Estádio Rei Fahd. Fonte: Araújo e Ricardo, (2002a).

O partido constitui-se por um anel central vazado, donde axialmente distribuem-se 24 módulos de cobertura para a arquibancada. Cada unidade possui forma de tenda, com um único topo suportado por pilares de 60m de altura, resgatando formalmente as origens árabes. Os mastros estão posicionados num círculo de 245m de diâmetro; a cobertura possui diâmetro externo de 290m. Um cabo reforça o anel central, estabilizando os esforços horizontais (Araújo e Ricardo, 2002a). Para suportar os fortes ventos da região, o projetista utilizou recursos como modelo em escala reduzida, simulando-o em túnel de vento. Mesmo com as condições climáticas adversas do clima desértico, alcançou-se uma tensoestrutura com poucas deformações (Araújo e Ricardo, 2002a). Situação no Brasil Historicamente, têm-se poucos exemplares de estruturas retesadas no Brasil. Entretanto, a Arena de Raleigh repercutiu entre projetistas nacionais e gerou um sucessor imediato: o Pavilhão de Exposições do Rio Grande do Sul em São Paulo (Figura 9). Projetado por Alberto Borges e Ricardo Costas Alliana, a cobertura consistia num parabolóide hiperbólico, composto de cabos retesados, transversais entre si, cobrindo uma área de 102x60m e alcançando um pé-direito de 20m (Laginha, 2002).

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Pavilhão do Rio Grande do Sul – IV Centenário de São Paulo, 1954. Fonte: Acrópole, apud Pauletti (2003).

O “I Simpósio Latino-americano sobre Tensoestruturas”, em São Paulo de 2002, foi um evento onde se comprovou o interesse crescente de engenheiros, arquitetos, estudantes e profissionais especializados pelas tensoestruturas. Empresas nacionais especializadas em tensoestruturas participaram; entretanto, estas ainda possuem características peculiares do mercado nacional tais como: obras propostas com materiais mais baratos, e conseqüentemente de menor desempenho que os empregados em paises mais avançados no uso desse sistema construtivo. Sobre esta situação, o engenheiro Voldemir Braz Fakri, da empresa Tensobrás, acrescenta que na Europa as mantas de fibra de vidro revestidas com politetrafluoretileno são muito empregadas, porém, devido ao seu custo ser até quatro vezes maior que as de poliéster revestidas com PVC, não têm utilização no País (Figuerola, 2004). Em depoimento a autora, Pauletti (2004)3 afirma também que como no Brasil o projeto e cálculo da tensoestrutura fica vinculado à empresa fornecedora da cobertura, cria-se uma situação onde o fabricante propõe apenas o que tem domínio em fazer, sem criar novas formas e ou detalhes de conexão. Pode-se citar duas tensoestruturas de destaque (Figuerola, 2004): 

Cobertura de eventos do Rodo Shopping de Paulínia, 2004 (Figura 10): projetada pelo arquiteto Carlos Bauer, da Toldos Dias, empresa encarregada do projeto e execução, a tensoestrutura é parcialmente ancorada na estrutura metálica do Shopping, e possui uma torre única articulada e inclinada em 23° com 42m de altura.

3

Pauletti, R. Estruturas retesadas. Entrevista concedida a autora, USP/SP, 29 abr. 2004.

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Vista frontal RodoShopping Paulínea, 2004. Fonte: Arquivo pessoal arquiteto Carlos Bauer, (2004). 

Cobertura do Anfiteatro da Igreja Batista Central de Fortaleza, 2003 (Figura 11): a membrana, na forma de um duplo conóide assimétrico, e área aproximada de 2.800m 2, possui mastros de 20m de altura. O cálculo da membrana foi feito por Ruy Pauletti e Reyolando Brasil. É a primeira membrana de grande porte nacional a possuir projeto totalmente assistido pelo computador.

Vista do Anfiteatro da Igreja Batista em Fortaleza, 2003. Fonte: Figuerola, (2004).

Comportamento mecânico Segundo Vandenberg (1996), a única forma de tornar uma membrana autoportante e flexível, para trabalhá-la como cobertura, é combinando curvatura com protensão: como as tramas para tais estruturas são industriais, a protensão pode ser obtida na confecção da lona. A curvatura, deliberadamente induzida, permite à membrana transmitir esforços laterais que não poderiam ser transmitidos em superfícies planas; a protensão garante que a manta permaneça sob tensão, e estabilizada, mesmo depois da aplicação de carregamentos não uniformes, como o vento. A protensão deve ser suficientemente alta - geralmente aproximada de meia tonelada

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por metro de comprimento de manta - para nunca ser reduzida a zero pelas forças externas de sentido oposto. A chave conceitual é a dupla curvatura, o que exige que as duas curvaturas se dêem em direções perpendiculares, sendo uma côncava e a outra convexa. Qualquer área interna, mostrada na parte sombreada da Figura 12a, satisfaria esta condição, estando as curvas A-B e C-D em direções opostas (superfície anticlástica). O domo mostrado na Figura 12b tem dupla curvatura, porém as linhas A-B e C-D são curvas para a mesma direção (superfície sinclástica). A membrana estrutural desta forma somente poderia oferecer resistência a forças operando para fora do interior do domo, não resistindo a esforços para dentro do domo, como as forças geradas pela gravidade e pelo vento.

(a)

(b) (a) Superfície anticlástica e (b) sinclástica Fonte: Vandenberg, (1996).

A Figura 13 mostra uma típica estrutura em forma de sela ou forma anticlástica: as linhas A-B e C-D mostram duas direções opostas de curvatura, uma côncava e uma convexa. As sucções de esforços para cima, causadas pelo vento, são normalmente resistidas pela força de tensão da membrana na direção A-B, convexa. Os esforços da gravidade - por exemplo, carga de neve - para baixo são resistidas pela direção C-D, côncava.

15

Dupla curvatura. Fonte: Vandenberg, (1996).

Dentro deste comportamento, as coberturas de membrana retesadas podem ganhar diversas formas e combinações (Figura 14).

Diversas formas que o sistema de coberturas de membrana tensionadas permite. Fonte: NJIT, (2004).

O comportamento estrutural das estruturas de membrana tensionadas é essencialmente nãolinear, exceto quando a superfície tiver uma expressão analítica conhecida (por exemplo, um parabolóide hiperbólico). A busca da forma e a análise de carregamentos de projeto em geral será geometricamente não-linear sob a ação de pelo menos alguns carregamentos (Pauletti, 2003). Como componente definitivo para se definir a forma da membrana, o autor afirma que o método dos elementos finitos é suficientemente preciso. Para o arquiteto ou projetista que busca um cálculo preliminar ou uma forma em nível de anteprojeto, a ASCE (1996) afirma que existem várias maneiras de se analisar a superfície da membrana sem ser necessário recorrer a numerosas equações não-lineares.

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Um desses métodos seria o de aproximar a curvatura da membrana a um arco de circunferência. O processo consiste em: 1°) Identificar a seção transversal com menor curvatura côncava no sentido de aplicação dos esforços. 2°) Aproximar a curvatura a um arco de circunferência. Isso pode ser feito diretamente ou calculado a partir da corda e da flecha (Figura 15).

Raio

rda o C

a ch Fle Corda, flecha e raio. 2

2

R = (C +4S )/8S

(1)

Sendo R o raio; C a corda e S a flecha. 3°) Calcular a tensão normal gerada pela pressão uniforme no arco de circunferência: T = P*R

(2)

Sendo: T a tensão na membrana (kN/m), P a pressão (kN/m2) e R o raio (m). Como exemplo cita-se um cálculo estimando o aumento da tensão numa superfície de membrana pela aplicação da pressão do vento (ASCE, 1996). Considerando-se uma membrana com 10m de corda e 0,5m de flecha, o raio de curvatura é: R = (102 + 4 * 0,52)/(8 * 0,5) = 25,5m Para uma pressão de 0,6kN/m2 aplicada na superfície, a tensão na membrana é: T = 0,6 * 25,5 = 12,75 kN/m Ao se incrementar a tensão da membrana, esta se alongará. O aumento no comprimento resultará num decréscimo do raio de curvatura e num aumento proporcional na pressão máxima a que uma membrana pode resistir. Para isso, os passos que se seguem são:

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1°) Calcular a dimensão do arco: A = {(C2+4S2)/4S)} * cos-1 {(C2 – 4S2)/(C2 + 4S2)}

(3)

2°) Estimar a mudança na dimensão angular da membrana pela aplicação de carregamentos: δA = (T*A)/(ώ*E)

(4)

sendo: δA a mudança da dimensão do arco; A a dimensão inicial do arco, ώ a largura do segmento da membrana considerado, e E o módulo de elasticidade da membrana. 3°) Calcular a nova dimensão do arco: A = A + δA

(5)

4°) Repetir o cálculo do raio de curvatura com a nova dimensão do arco. C = 2R*sen (A/2R)

(6)

5°) Calcula-se a tensão da membrana associada com o raio de curvatura revisado através da equação (2): T = P*R Estima-se, como exemplo, a mudança de dimensão do arco e o correspondente aumento na tensão. Logo: A = {(102 + 4 * 0,52)/(4 * 0,5)} * cos-1 {(102 – 4 * 0,52)/(102 + 4 * 0,52)} = 10,0665m Se o módulo de elasticidade for 1200kN/m, obtem-se: δA = (12,75 * 10,0665)/(1 * 1200) = 0,1070m (aprox. 1% de alongamento). O arco deformado possui 10,1735m. A partir daí encontra-se o novo raio de curvatura: R = 15,86m A tensão na membrana associada com este raio de curvatura é: T = 0,6 * 15,86 = 9,516kN/m Nota-se que a tensão encontrada é menor que a originalmente calculada de 12,75kN/m. Essa diferença é devido a deformação não-linear da membrana segundo a aplicação de um esforço. Determinar a forma final da membrana deformada sobre um carregamento especificado requer uma solução de problema não-linear.

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Como pode ser visto neste exemplo, a capacidade de absorver carregamentos da superfície da membrana é sensível à sua curvatura. Conforme ASCE (1996), estruturas de membrana tensionadas com relações flecha e vão de 1/8 a 1/20 são as mais viáveis.

Aplicações Estruturas de membrana tensionadas são construções que possuem características diferentes das construções usuais. São suas peculiaridades que fazem com que muitos arquitetos atualmente a tomem como alternativa. Muitas vezes esse tipo de estrutura constitui a única opção para determinadas demandas. Para uma boa utilização das tensoestruturas, o projetista deve considerar os seguintes fatores: 

desmontabilidade:

implícitos

na

desmontabilidade

encontram-se

conceitos

importantíssimos atualmente, como flexibilidade e reciclabilidade; 

tempo de fabricação e execução: segundo Berger (1999), um tensionado pode ser fabricado e montado em menor espaço de tempo, se comparado às diversas alternativas de coberturas;



aparência lumínica: as membranas possuem opções translúcidas, transparentes ou com black out. As primeiras duas opções remetem a um tema muito em voga nos anos recentes: a eficiência energética. Ou seja, aproveitando-se zenitalmente a luz do dia, essas coberturas geram uma economia no consumo de energia elétrica (Berger, 1999);



evocação simbólica: as coberturas remetem à linguagem orgânica, traduzida em diversidade de partidos arquitetônicos;



vencimento de grandes vãos: pelos materiais e sistema estrutural utilizados, as tensoestruturas são capazes de vencer vãos maiores que qualquer outro tipo de sistema construtivo convencional;



baixo peso da membrana: apresentam peso de duas ordens de grandeza menor do que o de estruturas em concreto armado e uma ordem de grandeza menor que estruturas convencionais de aço. Exemplo: uma cobertura para vãos livres da ordem de 30m pesa até 300N/m2, no caso das estruturas metálicas convencionais; com as tensoestruturas, vãos da ordem de 50m a 70m equivalem a no máximo 60N/m2;



drenagem e fundação simplificadas: geram-se menos custos nestas fases;



custo: segundo Berger (1999), o custo da tensoestrutura é mais alto que de qualquer cobertura tradicional, porém mais baixo que de qualquer cobertura translúcida. A relação

19

custo-benefício que o sistema traz, devido as suas particularidades, também deve ser levada em consideração. Conjugados esses fatores, as seguintes utilizações permanentes têm sido dadas às coberturas de membrana tensionadas (Majowiecki, 2002): 

edificações culturais: pavilhões, foyers, auditórios e teatros;



edificações esportivas: estádios, quadras e piscinas cobertas, pistas de gelo, patinação, skate, concentrações de atletas;



edificações industriais: armazéns, hangares e aeroportos;



edifícios ecológicos.

Materiais Os componentes básicos de tensoestruturas são as mantas sintéticas, as cordoalhas de aço, as estruturas de suporte e os elementos de ancoragem e fundação. As mantas são o principal material utilizado para a confecção das tensoestruturas. Membrana Existem muitos tipos de tecidos4 que podem ser utilizados na construção das tensoestruturas. Segundo a ASCE (1996), a escolha varia de acordo com a demanda: como malha estrutural pode-se citar a fibra de vidro, o poliéster, o kevlar (fibra de carbono), e o nylon; como revestimento existem o cloreto polivinílico (PVC), o politetrafluoretileno (PTFE), o teflon (PVDF) e o silicone (Figura 16).

Malha estrutural. Fonte: ASCE, (1996).

A malha estrutural é geralmente feita de fios fibrosos. As fibras por si só não são grandes ou grossas o suficiente para serem utilizadas como material estrutural, entretanto elas são

4

O termo tecido refere-se a filamentos fibrosos normalmente tramados e com protensão.

20

agrupadas formando filamentos. As malhas estruturais podem ter os fios sobrepostos ou tramados (Figuras 17a e 17b).

(a) (b) (a) Malha tramada e (b) Malha sobreposta. Fonte: ASCE, (1996).

A fiação dos tecidos que constituem as membranas é geralmente lançada segundo duas direções: o urdume e a trama. Durante a fiação, os fios do urdume são mantidos retos, retesados, e os fios da trama são passados alternadamente por cima e por baixo de cada fio do urdume, apresentando, portanto uma ondulação mais acentuada que estes últimos, que também acabam por ondular-se, em menor grau, por efeito da interação com os primeiros. Quando o tecido é solicitado, essa interação se torna mais pronunciada, com a trama tendendo a retificar-se adicionalmente, enquanto aumenta a ondulação do urdume (Pauletti, 2003). As mantas tramadas normalmente apresentam resistência a tração diferenciada entre as fibras direcionadas para o comprimento do tecido (warp fibers - urdume) – direção mais flexível - e aquelas que passam pela largura do tecido (weft ou fill fibers - trama). A esse comportamento dá-se o nome de anisotropia (Figuras 18a e 18b). Também podem ser confeccionadas mantas tramadas com comportamento idêntico nas duas direções, sendo denominadas isotrópicas (ASCE, 1996).

(a) (b) (a) e (b). Comportamento anisotrópico das fibras. Fonte: Vandenberg, (1996).

As lonas tramadas com fibra de vidro têm apresentado, de forma geral, melhor desempenho mecânico pelas suas características, como maior resistência, maior vida útil, estando, atualmente, as tensoestruturas com esses materiais em maior uso na Europa. Entretanto no

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Brasil essas mantas ainda não foram empregadas sendo mais utilizado o poliéster revestido com PVC. O motivo levantado pelo engenheiro Voldemir Braz Fakri, da empresa Tensobrás, é o fato de o custo das lonas feitas em fibra de vidro serem até quatro vezes maior que o de lonas em poliéster (Figuerola, 2004). A manta pode ser complementada com uma lona semelhante a uma tela, utilizada geralmente em acabamentos das bordas nos tensionados, fechando as curvas catenárias. Este fechamento permite a passagem de vento e reflete em média 75% da radiação solar (essa característica varia de acordo com a marca). Sob a ação de chuvas comporta-se diminuindo o impacto das gotas, porém é permeável à água. Em geral, cada marca possui o seu modelo com composições diferenciadas: a Ferrari (francesa) possui a Soltis; a Sansuy (brasileira) possui a Sanet; a Verseidag (alemã) possui tela em fibra de vidro com teflon; e outras marcas, como Mehler (alemã) e Alpargatas (brasileira) também possuem materiais similares (Bauer, 2004)5. No Quadro 1 resumem-se dados disponíveis em catálogos técnicos fornecidos por empresas de mantas estrangeiras. São apresentadas, de forma parcial, suas características comuns, no intuito de se trabalhar de uma forma comparativa, apesar de Happold, apud Pauletti (2003), afirmar que é difícil fazer comparações entre as diversas lonas, visto que os fabricantes tratam suas características de forma sigilosa. Até mesmo as normas utilizadas para atender determinados pré-requisitos algumas vezes são distintas.

5

Bauer, C. Lonas para tensoestruturas. Entrevista concedida a autora, São Paulo, Abr. 2004.

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Quadro 1. Síntese das características de algumas lonas utilizadas na confecção de tensoestruturas.

Especificações

PROPRIEDADES DAS LONAS MEHLER HAKU Fabricação alemã

PROPRIEDADES DAS LONAS VERSEIDAG Fabricação alemã

PROPRIEDADES DAS LONAS FERRARI Fabricação francesa

Nome Comercial

Nome Comercial

Nome Comercial

Normas FR 700 MEHATOP F TIPO I

FR 900 MEHATOP F TIPO II

FR 1000 MEHATOP F TIPO III

FR 1400 MEHATOP F TIPO IV

B 1015

B 1915/2A TIPO III

B 18089

PRÉCONTRAINT 502 branca 8100 translúcida

PRÉCONTRAINT 702 branca 8103 black out

PRÉCONTRAINT 1202 fluotop T

Base da lona

DIN 60001

Poliéster

Poliéster

Poliéster

Poliéster

Poliéster

Poliéster

Fibra de vidro c/ teflon

Poliéster

***

***

Filamentos (dtex)*

DIN 53830

1100

1100

1670

1670

1100

1670

***

1100

1100

1100/1670

Trama**

L1/1

P2/2

P2/2

P3/3

L1/1

P2/2

***

***

***

PVDF

Tipo de revestimento

PVC

PVC

PVC

PVC

PVC fungicida

PVC fungicida verniz acrílico

***

***

***

***

Peso total (g/m3)

DIN 53352

850

900

1050

1350

650

1050

***

650

830

1050

Resist. a tração N/50mm (warp/weft)

DIN 53354

3000/3000

4200/4000

6000/5500

7500/6500

2800/2500

5750/5100

***

280/260 daN/5cm

280/280 daN/5cm

560/560 daN/5cm

Resist. a ruptura (warp/weft)

DIN 53363

300/300

500/450

1000/1000

1200/1200

300/300

950/800

***

28/25daN

30/28daN

80/65daN

20

25

25

25

***

***

***

10daN/5 cm

10daN/5 cm

12daN/5 cm

Aderência (N/cm) Temp. extremas (°C)

DIN 53361

-30/+70

-30/+70

-30/+70

-30/+70

-30/+70

-30/+70

-30/+70

-30/+70

-30/+70

-30/+70

Firmeza de cor

DIN 54004

>6

>6

>6

>6

***

***

***

***

***

***

Notas:

* Os filamentos são quantificados em dtex e referem-se a quantidade de fibras utilizadas em cada trama. ** A trama refere-se ao número de filamentos utilizados. *** O fornecedor não enviou dados sobre essa lona.

Fonte: Catálogos Técnicos: Mehler Haku, Verseidag-Indutex GmbH e Ferrari

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Revestimentos As malhas estruturais, para obter a eficiência desejada, incorporam alguns revestimentos. As camadas protetoras apresentam algumas das seguintes características: 

Autoextinção: em caso de incêndio, as chamas não se propagam.



Bloqueio contra raios UV: aditivos conferem maior resistência contra os efeitos dos raios ultravioleta e inibem o desbotamento das cores ao longo do tempo.



Fungicidas: a formulação emprega aditivos que inibem a formação de bolores e manchas provocadas por fungos.



Antioxidantes: inibem o surgimento de manchas ferruginosas.

Cloreto polivinílico (PVC) O PVC é leve e maleável, proporcionando assim formas desejadas para as tensoestruturas. Este material é resistente aos raios UV e permite praticamente qualquer cor. Ele é mais comumente usado nos tecidos de poliéster e nylon (ASCE, 1996). Politetrafluoretileno (PTFE) O PTFE é quimicamente inerte, resistente à umidade e a micro-organismos e tem baixa deterioração com a idade. Em geral é produzido somente na cor branca. Combinado com tecidos em fibra de vidro, torna-se por um longo tempo um material de grande estabilidade. É resistente ao fogo e tem alta resistência à tração e alto módulo de elasticidade (ASCE, 1996). Silicone O silicone é usado como um revestimento protetor para a fibra de vidro. Possui características excelentes de resistência a raios UV, alta flexibilidade térmica, resistência ao fogo, alta resistência à tração e alto módulo de elasticidade. Além disso, proporciona alta propagação lumínica (ASCE, 1996). Aditivos - lacas e vernizes A sujeira, somada à poluição, produz efeitos negativos à estética e à translucidez, podendo danificar o revestimento e diminuir a vida útil da manta. Uma das formas de proteger a manta é acrescentar uma camada de verniz ou laca ao revestimento. O verniz não é somente designado para proteção da manta dos raios UV, mas também melhora as características autolimpantes. Um dos materiais utilizados para isso é o Tedlar. Trata-se de um fluoreto de polivinil (PVF) e pode ser aplicado tanto no poliéster revestido de PVC quanto na fibra de vidro revestida de PTFE. Mantas de poliéster também possuem vernizes de acrílico ou de decafluoreto de polivinil (PVDF) ou de uretano (ASCE, 1996).

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Estruturas de sustentação A estrutura de sustentação das membranas tensionadas pode ser madeira, bambu ou ligas metálicas, como aço e alumínio. No caso de estruturas metálicas, o alumínio apresenta alta resistência à corrosão, menor peso que o aço, porém resistência mecânica inferior. O aço é a alternativa mais interessante quando se necessita de alta resistência mecânica. Os arranjos estruturais, via de regra, consistem em reticulados espaciais em que as barras ficam sujeitas exclusivamente a esforços axiais de tração e compressão. Essa configuração garante alta eficiência estrutural, uma vez que as barras são solicitadas da forma que permite o melhor aproveitamento da capacidade resistente do material. As barras que compõem a estrutura em geral possuem seção transversal tubular. Essa forma garante boa rigidez com pouca quantidade de material, resultando em estruturas leves e muito resistentes. As estruturas espaciais exigem maior esforço para sua análise, uma vez que os fenômenos físicos relacionados ao comportamento da estrutura têm que ser simulados em três dimensões. Além disso, usualmente apresentam desenvolvimento complexo, o que exige o auxílio de sistemas computacionais sofisticados de análise, dimensionamento e detalhamento. Cabos As características dos cabos variam de acordo com o processo de sua execução e da disposição dos arames. Três tipos diferentes de cabos de aço são comuns nas aplicações industriais: cordoalhas, com arames individuais ao redor de um núcleo; cabos, com várias cordoalhas de diâmetro mais fino que no caso precedente, com as cordoalhas enroladas ao redor do núcleo; e cabos de fios paralelos, sem enrolamento (Pauletti, 2003). Os pontos de fixações e ajustes para os cabos, quando bem projetados, podem acrescentar beleza a uma membrana tensionada. Além dos cabos, existem os soquetes e uma série de acessórios como conexões, grampos, pinos, que nos EUA e CE são elementos comerciais, porém, no Brasil, para viabilizar custos, são regularmente desenhados e produzidos para cada tensionado. Ancoragens e fundação As ancoragens são pontos que requerem alguns cuidados dos projetistas. No caso de suportes discretos, como mastros, empregam-se geralmente olhais capazes de distribuir os

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carregamentos ao longo de uma linha ou superfície, evitando concentrações de tensão. As trações internas devem também, de alguma maneira, descarregar nas fundações. As ancoragens podem, muitas vezes, estar expostas a esforços de arrancamento da ordem de toneladas. A solução mais usual é a utilização de sapatas e olhais metálicos engastados em bases de concreto.

Processo projetivo O processo projetivo das estruturas de membrana tensionadas, por ser peculiar em relação às construções tradicionais, é assunto de interesse de vários autores (Blum e Böegner, 2003; Majowieki, 2002; Pauletti, 2003; Vandenberg, 1996). Oliveira e Barbato (2002) apresentam três fases características do processo de projeto e análise de tensoestruturas. Essas fases compreendem a configuração inicial da forma (formfinding), a determinação dos padrões de corte (cutting-pattern) e a análise da resposta aos carregamentos (load analysis). A partir da determinação inicial da forma, deve-se analisar com precisão as solicitações aos carregamentos, para posteriormente se ocupar com os padrões de corte e aspectos ligados a fabricação. Configuração inicial da forma Determina-se uma configuração inicial em que o estado de solicitações e a geometria especificada definam um estado de equilíbrio (algumas vezes inclui-se o peso da estrutura no processo). Além de satisfazer as equações de equilíbrio, a configuração inicial deve acomodar tanto requisitos arquitetônicos (forma e uso) como estruturais (resistência e estabilidade). Existem muitas configurações de equilíbrio possíveis, e o projetista procura selecionar a configuração que melhor atenda aos requisitos de projeto. Resposta aos carregamentos Nessa fase são verificados a formação de rugas e os níveis das tensões máximas, mediante análise global da estrutura submetida às ações. Deve-se proceder ao estudo do comportamento da estrutura sujeita a uma variedade de carregamentos, ressaltando o efeito dos ventos, para garantir que a estrutura possa suportar todas as solicitações que encontrará em serviço. A falta de rigidez à flexão torna as estruturas retesadas suscetíveis a grandes variações geométricas, mesmo sob carregamentos moderados. Isto é, tais estruturas tendem a se adaptar aos carregamentos sofrendo grandes deflexões. Em alguns casos, os próprios carregamentos são dependentes da deformação. É o caso do carregamento de pressão, que permanece sempre normal à superfície deformada. Torna-se necessário proceder a uma análise não-linear para incluir estes efeitos na análise de resposta aos carregamentos. Critérios de aceitação para as

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análises de carregamento devem considerar a segurança mecânica no curto e longo prazos, a limitação das vibrações e a perda de retesamento, que pode levar ao enrugamento da membrana. Determinação dos padrões de corte Como a membrana é encontrada comercialmente em rolos, esta precisa ser cortada em pedaços que, emendados e protendidos, proporcionem a forma da superfície tridimensional apropriada. Como as superfícies de dupla curvatura – típicas das estruturas retesadas – não podem ser planificadas de forma exata, o processo de determinação dos padrões de corte é inevitavelmente aproximado. Entretanto, deve-se impor um limite ao erro dessa aproximação, sob pena de não se obter configuração originalmente preconizada pelo processo de busca de forma, ou de aparecerem rasgos ou zonas de enrugamento, que condenam a estrutura, seja do ponto de vista mecânico, seja de uso.

Normas e legislações No caso das tensoestruturas existem várias normas de acordo com o país em questão. Os EUA seguem as normas americanas enquanto a União Européia segue as suas respectivas leis. Países com o Japão e a Cingapura também aplicam suas normalizações. Há neste item ainda uma lacuna, principalmente no Brasil. As empresas brasileiras, de forma geral, seguem as normas européias, porém não existe fiscalização. Os materiais, como as mantas, também seguem as normas vigentes no país onde são fabricados. A ASCE (1996) apresenta alguns ensaios usuais nos EUA para as lonas. Em relação à ruptura, essa Associação cita os testes de ruptura trapezoidal, monoaxial com rasgo central e de ruptura da lingüeta. Em relação à resistência a tração, há dois tipos de teste: testes de tração biaxial e testes de tração longitudinal. Quanto à resistência ao fogo, existem vários testes normalizados que foram adaptados para as lonas. As normas são: 

ASTM E84 – Surface Burning Characteristics of Building Materials;



ASTM E108 – Fire Tests of Roofs Coverings;



ASTM E136 – Behavior of Materials in a Vertical Tube Furnace at 750 Degrees Celsius;



NFPA 701 – Fire Tests for Flame-Resistant Textiles and Films.

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Manutenção As estruturas tensionadas em geral apresentam pouca necessidade de manutenção. Mesmo possuindo propriedades autolimpantes, os tensionados devem passar por uma lavagem regularmente (as lonas em fibra de vidro em menor freqüência), visando retirar partículas que possam vir a se incrustar na lona. Essa lavagem deve ser feita no período estipulado pelo fabricante, usando-se escovas leves, detergente neutro especificado pelo fabricante e água corrente (Santana, 2004)6. Um eventual retensionamento também pode ser preconizado, em especial se a lona for de fibra de vidro. A inspeção dos cabos também deve acontecer principalmente em caso de existência de olhais, forquilhas, e outros acessórios. Como o tensionado é suscetível a elementos cortantes, tais como facas e estiletes, emendas podem ser feitas em caso de rupturas.

Custos Várias são as questões que devem ser levadas em consideração quando se avalia o orçamento de uma tensoestrutura. Na realidade, o custo das tensoestruturas varia largamente com a escolha da membrana e outros parâmetros: apresentar custo baixo ou alto, depende do tipo de cobertura com as quais são comparadas. No Brasil, os custos dados para tensoestruturas geralmente incluem: o projeto; a própria manta, cabos, mastros ou arcos que a suportam, e a união da manta a eles; a montagem da tensoestrutura. Geralmente excluem a fundação (porém o projeto é disponibilizado), o piso, as paredes ou as vigas nas quais as mantas se finalizam, e algum dispositivo de segurança contra incêndio ou itens lumínicos que sejam acrescidos à construção.

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Santana, P. Estruturas de membrana tensionadas. Entrevista concedida a autora, Guarapari-ES, 10 jan. 2004.

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No Quadro 2, apresentam-se custos médios de tecidos têxteis para tensoestruturas segundo Figuerola (2004): Quadro 2. Custos médios entre os tecidos têxteis para uso em tensoestruturas. TECIDO POLIÉSTER Revestimento PVC PVC Polímeros variados Aditivos PVDF Custo do material 45,00 80,00 (R$/ m2) Fonte: Figuerola, (2004).

FIBRA DE VIDRO PTFE Silicone ----250,00

200,00

Segundo Santana (2004), uma tensoestrutura de poliéster com revestimento de PVC com tecido importado tem um custo médio de R$250,00/m2. Também afirma que a indústria das tensoestruturas brasileiras possui preço e capacidade de concorrer com as indústrias internacionais, mesmo possuindo deficiências, como a carência de fornecedores de materiais nacionais específicos a essa tecnologia. Deve-se somar a isso um déficit nas empresas nacionais em relação ao uso de softwares específicos para essa tecnologia. A maioria das empresas trabalha com o auxílio de modelos físicos e padrões empíricos de projeto. Os custos citados no Quadro 2 devem ser excedidos para o caso de estruturas com formas complexas, não usuais, ou outras características especiais de projeto. Em adição à escolha da manta, alguns fatores afetam o custo relativo da área plana, incluindo o seguinte (ASCE, 1996): 

Simetria e repetição: projetando a estrutura com simetria em um ou mais eixos, e pelo estabelecimento de módulos repetitivos, a análise, o padrão de cortes e a fabricação podem ter custos bastante reduzidos.



Escala: como carregamentos inertes são poucos e como o custo da manta não varia muito com o aumento da tensão, o custo por área plana não aumenta muito com o incremento de comprimento como acontece em construções convencionais.



Raio de curvatura: curvaturas racionais no tecido são conseguidas no limite de tensão do tecido e das forças dos cabos. A redução da curvatura resulta num aumento do raio e melhora a estabilidade. Raios maiores, entretanto, causam um incremento significante na quantidade de manta requerida para cobrir uma dada área plana. A estrutura mais econômica tem um raio que fornece um equilíbrio entre estes conceitos divergentes.

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Aspectos de comportamento ambiental

Sistemas e desempenho A palavra sistema remete a muitas conceituações: 

Um conjunto de elementos interdependentes e interagentes; um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado e cujo resultado (output) é maior do que o resultado que as uinidades poderiam ter se funcionassem independentemente (Khandwalla, apud Chiavenato, 1979).



Um todo organizado ou complexo; uma montagem de combinação de coisas ou partes, formando um todo complexo ou unitário (Johnson et al., apud Chiavenato, 1979).



Um conjunto de objetos unidos por alguma forma de interação ou interdependência. Qualquer conjunto de partes unidas entre si pode ser considerado um sistema, desde que as relações entre as partes e o comportamento do todo seja o foco de atenção (Chiavenato, 1979).



Um conjunto de elementos interdependentes e interagentes, ou um grupo de unidades combinadas sob a forma de um todo organizado, cujo resultado é maior que o resultado das unidades constituintes se estas funcionassem independetemente. O ser humano, por exemplo, é um sistema, pois consiste em vários órgãos e membros funcionado coordenadamente para que seu comportamento seja eficaz (Chiavenato, 1979).



Um conjunto estruturado de atividades ligadas entre si, as quais podem ser descritas em função de propriedades como hierarquia, comunicação e controle (Tibiriçá, 1997).

Diante dessa série de definições apresentadas, pode-se tomar como sistema o ambiente construído, e a partir daí, analisar condições de desempenho ambiental e estrutural a partir de inúmeras variáveis tais como: forma do edifício, clima local, temperaturas internas e externas, usuários, ventilação, iluminância, níveis de pressão sonora, etc. Desempenho pode ser definido como o comportamento em fase de utilização, que consiste em um determinado produto possuir propriedades que possam cumprir sua função durante a vida útil. O edifício, considerando seus elementos e componentes, está sujeito a uma variedade de ações, em função de fenômenos de origem natural ou da própria utilização do edifício, que são denominadas condições de exposição às quais está submetido. O desempenho do produto é o resultado do equilíbrio dinâmico estabelecido entre o produto e seu meio, que só ocorre com o edifício em uso (Pereira, 2001).

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Tibiriçá (1997) ressalta que aplicar o conceito de desempenho não significa simplesmente verificar a qualidade, mas, fundamentalmente, ampliá-la ao avaliar a efetiva necessidade social para se produzir uma edificação e os seus conseqüentes impactos ambientais. Como forma de abordar e avaliar os níveis de desempenho tem-se a Figura 19, como modelo metodológico. Na Figura 19, a aplicação do conceito de desempenho ao edifício e suas partes implica em definir as condições qualitativas e quantitativas que devem ser atendidas - inserida no bloco superior da figura. Complementarmente, também é necessário definir os métodos de avaliação, isto é, técnicas padronizadas que permitam verificar se um determinado edifício, espaço, elemento, instalação, componente ou material atende aos requisitos e critérios de desempenho fixados, específicos e globais - bloco inferior da figura (Tibiriçá, 1997).

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Selecionar

Necessidades dos usuários Tendências

Identificar

Requisitos dos usuários

Agentes ambientais relevantes

Condições de exposição

Requisitos de desempenho

Determinar

Definir

Critérios de desempenho

Compor

Edificação e suas partes Otimizar produto

Definir

Métodos de ensaio

Propriedades em uso

Atributos de desempenho

Determinar

Controlar qualidade

Identificar

Construção Civil: Cidade vs Mercado

Metodologia de projeto usando o conceito de desempenho. Fonte: Tibiriçá (1997).

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A edificação deve ser estável, resistente e permitir a habitabilidade do ambiente interno; seus materiais constituintes devem resistir ao fogo, oferecer as propriedades térmicas e acústicas necessárias, suportar os efeitos da degradação pelo uso e pelo ambiente e manter o desempenho previsto em projeto. Nesse contexto, a construção é responsável pela manutenção de valores essenciais como temperatura, presença de insolação e ruídos ou privacidade, nos níveis de bem-estar, e deve responder satisfatoriamente às solicitações impostas pelo meio como alterações climáticas, chuva, vento, ruído, radiação térmica e pela própria ocupação da edificação (impactos, adição de cargas suspensas e geração de umidade) (Ciria et al., apud Pereira, 2001). O CIB, em 1983, publicou uma série de necessidades dos usuários as quais uma edificação deve atender, que em síntese são: estabilidade estrutural; segurança ao fogo; segurança ao uso; estanqueidade; conforto higrotérmico; pureza do ar; conforto auditivo; conforto visual; conforto tátil; conforto antropodinâmico; higiene; adaptação ao uso; durabilidade e economia (Tibiriçá, 1997).

Usuários O homem, como todos os seres vivos, tem exigências físicas, químicas e de segurança em relação com o meio que habitam. Quando não satisfeitas, sua existência é ameaçada (Rivero, 1986). O ser humano necessita de alimentos ricos em energia e substâncias como vitaminas. Necessita também de elementos de vedação como as paredes e coberturas para atender às exigências de segurança, além de possuir necessidades físico-químicas bem específicas, com valores ótimos que podem ser definidos para temperatura, pressão, umidade, luminosidade, nível sonoro, etc. A primeira tentativa de criar um meio adequado ao ser humano é a vestimenta. A resistência térmica da roupa é de grande importância na sensação de conforto higrotérmico do homem. Essa variável é medida em “clo”, do inglês clothing (Lamberts et al., 1997). Entretanto, a vestimenta não é a solução satisfatória para realizar a maioria das funções humanas; logo, aparece o meio envolvente, que pode ser caracterizado como o ambiente construído. Pode-se dizer que é principalmente após a Revolução Industrial que o homem vem dispondo e usufruindo seu tempo útil em ambientes construídos. Estes, inicialmente relacionados com sua função primordial de abrigo, ao longo do tempo vêm se adaptando à medida que essa função

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se torna mais complexa: não é mais unicamente uma proteção contra as intempéries e ataques de inimigos e animais ferozes; é todo um modo de vida que se renova com as próprias condições geradas nesse ambiente construído, e em contínua transformação, face às necessidades do homem – usuário contemporâneo (Ornstein et al., 1995). A cidade então apresentaria um conjunto de envolventes, porém, nem sempre os ambientes correspondem às condições de habitabilidade requeridas pelos usuários. Em parte isso se deve ao meio urbano que diariamente é bombardeado por gases, partículas sólidas, lixo, barulhos e odores resultantes de atividades humanas, além de, ao mesmo tempo, destruir as reservas de verde causando diversos impactos ambientais. É o conhecimento das relações entre ambiente construído e comportamento dos usuários que permite avaliar os padrões existentes, reformulá-los e propor novos projetos (Ornstein et al., 1995).

Agentes ambientais relevantes Agentes ambientais são variáveis do ambiente físico e institucional que influem sobre a edificação e seus usuários. Em princípio são descritas qualitativamente e visam a caracterizar os fenômenos ou entes de origem interna ou externa que podem influir no desempenho da parte constituinte (Tibiriçá, 1997). Conforme Oliveira (1993), o meio ambiente físico – a paisagem circundante, o Sol, o clima regional – condicionam o ambiente arquitetônico a se manifestar atmosfericamente dentro de certas características perceptíveis ao homem, que nem sempre apresenta condições de conforto ambiental. O estudo dos elementos climáticos – temperaturas, umidade, ventos, precipitações, etc. e de seus fatores condicionantes conduzem à identificação de determinadas formas de desempenho climático ou microclimático. No caso das estruturas de membranas tensionadas, as variáveis que mais influem no seu desempenho são a radiação solar, a temperatura, a umidade do ar e a ventilação. Propriedades características da membrana, como baixa espessura e elevada translucidez, são indicadores de que a radiação solar é um dos fatores de maior relevância. Radiação solar A radiação solar é uma energia eletromagnética, de onda curta, que atinge a superfície terrestre após ser parcialmente absorvida pela atmosfera (Frota e Schiffer, 2001).

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Lamberts et al. (1997) consideram a radiação solar como a principal fonte de energia para o planeta. Além de fonte de calor e de luz, o Sol é considerado elemento de extrema importância para a eficiência energética na arquitetura. A quantidade de radiação solar incidente sobre o topo da atmosfera da terra depende principalmente de três fatores: do período do ano, do período do dia e da latitude (Ayoade, 1998). A difusão dos raios solares ao se chocar com as moléculas do ar origina a radiação difusa. Pode-se assim classificar a energia procedente do sol como radiação direta, e radiação solar difusa como a energia que provém de toda a abóbada celeste, exceto a radiação direta (Rivero, 1986). Em regiões de baixas latitudes, a maior intensidade da radiação solar incide em superfícies horizontais ou aproximadamente horizontais, como as coberturas das edificações (Andrade et al., 1993). Alves (1993) acrescenta que, de um modo geral, a cobertura é a principal fonte de absorção e transmissão de calor para o interior de uma habitação, por estar exposta à radiação solar o dia todo. Fechamentos laterais, por exemplo, só recebem insolação uma parte do dia: somente durante o tempo em que o Sol está incidindo nas faces a que estes fechamentos se direcionam. Temperatura e umidade do ar A variação da temperatura na superfície terrestre resulta basicamente dos fluxos das grandes massas de ar e da diferente recepção da radiação solar de local para local (Rivero, 1986). Sobre a temperatura, Ayoade (1998) acrescenta que vários fatores influenciam a sua distribuição: a natureza e a quantidade de insolação recebida pelas superfícies, a distância a partir dos corpos hídricos, o relevo, a natureza dos ventos predominantes e as correntes oceânicas. Quando a velocidade dos fluxos de ar é pequena, a temperatura é, em grande parte, conseqüência dos ganhos térmicos solares do local. É importante ressaltar que, para uma mesma temperatura, a sensação de conforto térmico pode ser diferente em função de variáveis como o vento e a umidade locais. Nesse constante processo de intercâmbios de calor na Terra, as variações diárias do teor de vapor no ar exercem um importante papel no balanço térmico. A umidade é o termo usado para descrever a quantidade de vapor d’água contido na atmosfera. Ela não abrange as outras formas nas quais a água pode estar presente na atmosfera, como forma líquida (gotículas

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d’água) e forma sólida (gelo). O vapor d’água atmosférico se origina a partir da superfície terrestre pela evaporação das águas e transpiração das plantas (Ayoade, 1998). Quanto maior a temperatura do ar, menor sua densidade e, em conseqüência, maior quantidade de água poderá conter. Se o conteúdo de água evaporada no ar é o maior possível para aquela temperatura, diz-se que o ar está saturado. Nessa condição, qualquer quantidade de água a mais em estado de vapor se condensará7. É desse fenômeno que se originam a névoa, o orvalho e a chuva. Quando o conteúdo de vapor de água no ar é menor que o máximo possível para aquela temperatura, diz-se que esta proporção (em percentual) é a umidade relativa do ar (Lamberts et al., 1997). Ventos Os ventos podem ser compreendidos como um deslocamento de ar gerado por diferenças de pressão entre as massas de ar. O ar se movimenta das zonas de alta pressão para as de baixa pressão (Izard e Guyot, 1980). Segundo Olgyay (1973), a distribuição desigual de radiação solar na superfície da Terra produz essas variações de densidade na massa atmosférica. Em uma região climática pode haver variações significativas de direção e de velocidade do movimento do ar. Isso acontece principalmente pelas diferenças de temperatura entre as massas de ar, o que provoca o seu deslocamento da área de maior pressão (ar mais frio e mais pesado) para a área de menor pressão (Lamberts et al., 1997). O conhecimento do regime dos ventos permite aproveitar suas vantagens e defender-se de seus efeitos desfavoráveis (Rivero, 1986). Nesse sentido, pode-se acrescentar que as condições do vento local podem ser alteradas com a presença de vegetação, edificações e anteparos naturais e artificiais. Pode-se tirar partido do perfil topográfico de um terreno para canalizar os ventos, desviando-os ou trazendo-os para a edificação (Lamberts et al., 1997). O ar em uma cidade circula pelas vias urbanas onde não há obstáculos e, por isso mesmo, sua direção pode ser muito diferente da que tem no espaço aberto. Outro aspecto que deve ser levado em conta é a existência de um regime de brisas local, como é freqüente entre o mar e a terra ou entre a montanha e o vale, em função de diferenças de temperaturas (Rivero, 1986). É de extrema importância para a higiene e para o conforto higrotérmico, a renovação do ar do ambiente construído, que, além de proporcionar a dissipação de calor, é responsável pela desconcentração de vapores, fumaça, poeiras, poluentes, entre outros (Frota e Schiffer, 2001).

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Esse processo térmico ocorre na superfície das tensoestruturas e será descrito no item conforto térmico.

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Toledo (1999), em sua dissertação sobre ventilação natural nas habitações, afirma que a direção dos ventos deve ser observada nos projetos arquitetônicos. Caso o problema seja o excesso de ventilação, anteparos devem ser previstos. Estes anteparos podem ser internos ou externos, como muros ou massas de vegetação. A vegetação além de deter, canaliza ventos e proporciona sombras (Figuras 20a e 20b) (Rivero, 1986).

(a) (b) (a) Fluxo de ar com vegetação como barreira. (b) Fluxo de ar e interferência de vegetação. Fonte: Rivero, (1986).

Sem dúvida alguma, a parte de uma construção mais sujeita a danos causados pelo vento é o telhado: estrutura e cobertura, principalmente telhados leves e com grandes vãos, como os usados em pavilhões industriais, hangares, salões para exposições, entre outros (Blessmann, 1991). Nos climas quentes-úmidos, a umidade relativa tenderá a ser maior dentro do edifício do que fora, devido às atividades exercidas, como cozinhar, trabalhar. É importante, portanto, para um bom desempenho térmico nos climas quentes-úmidos, não só manter baixa a tensão de vapor do ar no edifício, por meio da ventilação, mas também acelerar a velocidade com que toca a pele (Mascaró, 1985). A edificação, como volume, gera fluxos de ar ao redor de si. O vento pode ser tratado como um fluxo laminar de ar que ao chocar-se com um corpo sólido tende a manter uma trajetória reta depois de ter sido desviado; por conseguinte, percorrerá certa rota e voltará ao solo para ocupar todos os espaços disponíveis. Por isso, forma-se uma massa de ar estancado a sotavento, de baixa pressão. Entretanto, esse ar não estará de todo estancado: forma um redemoinho que é denominado sombra de vento ou zona de sucção. Esses redemoinhos formam-se quando o fluxo laminar se separa da superfície dos corpos sólidos. A barlavento, os redemoinhos têm pressão elevada, ao passo que a sotavento a pressão é reduzida (Mascaró, 1985) (Figura 21).

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Diversos comportamentos do fluxo de ar de acordo com as diversas formas da edificação. Fonte: Mascaró, (1985).

A ventilação dá-se também por diferença de pressão entre o interior e o exterior, com filtrações através das fissuras e janelas, poros das paredes e coberturas, ou pelo efeito denominado chaminé. A ventilação cruzada, ou efeito chaminé, refere-se às condições nas quais um dado espaço é ligado por aberturas às áreas de pressão e sucção do exterior (Mascaró, 1985).

Aspectos projetuais Forma da edificação A forma arquitetônica pode ter grande influência no conforto ambiental em uma edificação e no consumo de energia, visto que interfere diretamente sobre os fluxos de ar no interior e no exterior e, também, na quantidade de luz e calor solar recebidos pelo edifício (Lamberts et al., 1997). A tecnologia de coberturas de membranas tensionadas permite explorar diversas formas, seguindo o preceito da dupla curvatura em sentidos opostos. A escolha da forma deve adequar-se às solicitações ambientais do meio exterior, de maneira a tirar proveito das condições naturais, da melhor maneira possível, para atender às exigências térmicas, lumínicas e acústicas dos usuários.

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Como as tensoestruturas são a pele do ambiente construído, muitas vezes não existindo janelas e/ou vedações laterais, deve-se levar em consideração que a forma desta cobertura exercerá influência direta na penetração zenital da luz solar na edificação. Orientação da edificação Pode-se citar a orientação de uma edificação como uma determinante de grande influência nas primeiras etapas projetuais. Izard e Guyot (1980) afirmam que a escolha da melhor orientação pode se balizar a partir de três critérios: a vista, a posição solar e a direção dos ventos em relação à edificação. A radiação solar deve ser observada, e, caso a intenção seja o seu melhor aproveitamento, a maior dimensão da edificação em planta deve ser orientada no sentido leste-oeste, em baixas latitudes. No caso das tensoestruturas, deve-se escolher a direção tendo em vista que os ventos são o principal agente climático responsável pelo rompimento da membrana, e também pelo arrancamento dos mastros. Materiais componentes Tanto os materiais que constituem a envoltória do edifício, quanto sua estrutura, possuem papel importante nas trocas térmicas com o meio ambiente. Cada material possui propriedades térmicas que o particularizam, como condutividade térmica específica, resistência térmica e capacidade calorífica (Izard e Guyot, 1980). Conforme caracterizado anteriormente, os componentes básicos de tensoestruturas são as mantas sintéticas, as cordoalhas de aço, as estruturas de suporte e os elementos de ancoragem e fundação. As mantas são o principal material utilizado para a confecção das tensoestruturas. O material da trama, os revestimentos e aditivos determinam a vida útil da membrana. Membranas translúcidas, com black out interno ou coloridas, são encontradas no mercado e apresentam comportamentos diferenciados frente á radiação solar.

Comportamento térmico Akutsu e Vitorino (1993) afirmam que fazem parte do processo de avaliação do desempenho térmico as seguintes etapas: 

caracterização das exigências humanas de conforto térmico;



caracterização das condições típicas de exposição ao clima;

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caracterização da edificação e de sua ocupação;



caracterização do comportamento térmico da edificação;



avaliação do desempenho térmico da edificação.

Usuários Conforto higrotérmico é definido como o estado mental que expressa a satisfação do homem com o ambiente térmico. A não satisfação pode ser causada por sensação de desconforto pelo calor ou frio percebido pelo corpo como um todo; pode também ser causada pela sensação de calor ou frio não desejada em uma parte particular do corpo (desconforto local) (Nakanishi e Schaly, 1993). Segundo a ASHRAE, apud Lamberts et al. (1997), conforto térmico é um estado de espírito que reflete a satisfação com o ambiente térmico que envolve a pessoa. Se o balanço de todas as trocas de calor a que está submetido o corpo for nulo e a temperatura da pele e suor estiverem dentro de certos limites, pode-se dizer que o homem sente conforto higrotérmico. O homem, como um animal homeotérmico, requer uma temperatura constante. O corpo humano busca manter a temperatura na ordem de 37°C, com variações entre 36,1 e 37,2°C; qualquer desvio abaixo de 32°C ou acima de 42°C ultrapassam os estados limites de vida (Lechner, 1990). O equilíbrio térmico do corpo humano dá-se através do fenômeno denominado metabolismo, que envolve uma produção de calor da ordem de 60 a 500kcal, ou, 251,2 kJ a 2093,4 kJ, por hora, dependendo da atividade do indivíduo na ocasião (Alucci, 1981). Cerca de 20% dessa produção de energia, denominada metabolismo, é transformada em potencialidade de trabalho. O restante se transforma em calor, que deve ser dissipado para que o organismo seja mantido em equilíbrio (Frota e Schiffer, 2001). O sistema termorregulador do homem é bastante eficaz, criando um balanço térmico dentro de largas faixas de variação do meio ambiente, mesmo que neste não exista conforto. Este balanço é influenciado por sua atividade física e o tipo de resistência térmica da vestimenta, bem como os parâmetros ambientais: temperatura do ar, temperatura média radiante, velocidade do ar e umidade relativa do ar (Lechner, 1990; Nakanishi e Schaly, 1993). O organismo humano passa diariamente por uma fase de fadiga – catabolismo – e por uma fase de repouso – anabolismo. O catabolismo, sob o ponto de vista fisiológico, envolve três tipos de fadiga: física, termo-higrométrica e nervosa (Frota e Schiffer, 2001).

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A fadiga física faz parte do processo normal de metabolismo. A fadiga termo-higrométrica é resultante do trabalho excessivo do aparelho termorregulador, pela existência de condições ambientais desfavoráveis, no tocante à temperatura do ar, tanto com relação ao frio quanto ao calor, e à umidade do ar (Frota e Schiffer, 2001). Neste sentido, pode-se afirmar que o homem troca calor com o meio segundo as leis da física, por condução/convecção e por radiação; produz calor através do seu metabolismo basal e de atividades musculares, com o compromisso voluntário e/ou involuntário de manter certas condições fisiológicas que lhe permitam evitar o stress provocado por situações de desconforto higrotérmico (Oliveira, 1993). O calor perdido para o ambiente através das trocas secas é denominado calor sensível e é função das diferenças de temperatura entre o corpo e o ambiente. Já o calor cedido ao ambiente por trocas úmidas é denominado calor latente e envolve mudança de estado de agregação – o suor, líquido, passa para o estado gasoso de vapor através da evaporação. Assim, o organismo perde calor para o ambiente de duas formas: calor sensível e calor latente (Frota e Schiffer, 2001). As perdas de energia representadas pelo calor latente correspondem à dissipação através das perdas de vapor d’água pela respiração ou pela perspiração, ou através da evaporação do suor, e equivalem ao calor que se libertaria proporcionando a condensação dessa quantidade de vapor d’água que se mantém no ar (Frota e Schiffer, 2001). Quando se considera que o indivíduo está vestido e calçado, o calor dissipado por condução é pequeno. Se a superfície dos corpos presentes no ambiente estiver a uma temperatura inferior à do sistema corpo-vestimenta, há dissipação de calor por radiação - cerca de 40% (Frota e Schiffer, 2001). Devido às diferenças metabólicas de cada indivíduo, é impossível especificar uma condição ótima de conforto higrotérmico que satisfaça a todas as pessoas ao mesmo tempo. Haverá sempre uma porcentagem de ocupantes não satisfeitos, porém é possível especificar condições térmicas aceitáveis para um grupo de pessoas, dentro de um determinado ambiente. Essas condições térmicas aceitáveis são tais que haja a satisfação em pelo menos 80% dos seus ocupantes (Nakanishi e Schaly, 1993). Guyot e Izard (1980) afirmam que nas condições de conforto fisiológico muitos são os fatores intervenientes do indivíduo, como atividade, vestimenta, hábitos culturais. Outros são os fatores climáticos como temperatura do ar, temperatura radiante do meio ambiente, umidade do ar e velocidade do ar.

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Índices de conforto térmico Segundo Rivero (1986), supondo-se iguais a temperatura média radiante e a do ar, as condições ótimas de conforto térmico para uma atividade de 130W (valor aproximado de um cliente fazendo uma refeição), ou 111 kcal/h, são na faixa de 20°C a 28°C (Figura 22), para: 

vestimenta com resistência de 0,8 clo;



velocidade do ar menor que 0,2m/s;



umidade relativa do ar entre 30% e 60%.

MUITO QUENTE

100 W

150 W

200 W

MUITO DESCONFORTÁVEL

REGULAÇÃO TÉRMICA E SAÚDE NORMAIS

LEVEMENTE QUENTE

QUENTE

DESCONFORTÁVEL

COMEÇA DESCONFORTO

COMEÇA DESCONFORTO

ME T. AP RO X. EM

FRIO

RE ST A

UR AN TE

LEVEMENTE FRIO

CONFORTO ÓTIMO

MUITO FRIO

DESCONFORTÁVEL

MUITO DESCONFORTÁVEL

0

10

20

30

40

50

TEMPERATURA DO MEIO (°C)

Importância da atividade na definição das condições térmicas - atividade entre 100W e 200W para conforto ótimo entre 20° e 30°. Fonte: Antunes adaptado de Rivero (1986).

Outras referências são: 

ASHRAE: 23,9°C em qualquer situação do ano;



IHVE: 21°C no inverno, com elevações de 1°C a 2°C no verão;



24,5°C e 26,5°C para o Brasil, no inverno e verão, respectivamente, segundo as pesquisas de Paulo Sá realizadas em 1938.

Os índices de conforto térmico foram desenvolvidos com base em diferentes aspectos do conforto e podem ser classificados conforme a seguir (Frota e Schiffer, 2001):

42



índices biofísicos, que se baseiam nas trocas de calor entre o corpo e o ambiente, correlacionando os elementos do conforto com as trocas de calor que dão origem a esses elementos;



índices fisiológicos, que se baseiam nas reações fisiológicas originadas por condições conhecidas de temperatura seca do ar, temperatura radiante média, umidade do ar e velocidade do ar;



índices subjetivos, que se baseiam nas sensações subjetivas de conforto experimentadas em condições em que os elementos de conforto térmico variam.

Alguns relevantes estudos foram desenvolvidos em relação ao conforto higrotérmico. Dentre eles podem-se ressaltar as pesquisas do dinamarquês Fanger (1970), de 1966 a 1967 nos laboratórios da ASHRAE. Dentre seus trabalhos, pode-se destacar a equação geral de conforto, que combina as variáveis ambientais, incluindo-se temperatura radiante média, velocidade do ar, umidade relativa, temperatura do ar, atividade física e vestimenta. Além de avaliar pessoas de diferentes nacionalidades, idades e sexos, estabeleceu o chamado voto médio predito (PMV – predicted mean vote) para determinadas condições ambientais. A partir daí foi implementado o conceito de porcentagem de pessoas insatisfeitas (PPD – predicted percentage of dissatisfied). Em 1984, a norma ISO 7730 adotou as pesquisas de Fanger (Lamberts et al., 1997). No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego, por intermédio da Fundacentro8 fornece informações sobre os fatores que influenciam o conforto térmico, apresenta um método para avaliação dos ambientes laborais e análise da aplicação prática, e acrescenta critérios mais recentes, visto que o Brasil trabalhava com os critérios desenvolvidos por Yaglou há 60 anos. Há criticas a esse critério, demonstrando deficiências no mesmo, como a desconsideração de fatores de grande influência na sensação térmica: a atividade física das pessoas e o tipo de vestimenta (Ruas, 1999; Ruas 2001). Ruas (2001) acrescenta que a literatura específica no Brasil está desatualizada, e das quatro pesquisas conhecidas sobre métodos para a avaliação de conforto higrotérmico - Xavier e Lamberts, 1997; Ribeiro, 1945; Sá, 1936; Sá 1934 - três foram feitas no período de 1930 a 1945.

8

A informações são oferecidas por meio dos seguintes livros: Conforto térmico nos ambientes de trabalho (1999), e Avaliação de conforto térmico - contribuição à aplicação prática das normas internacionais (2001).

43

Além de padrões térmicos internacionais, como as da ASHRAE ou da ISO 7730, o Brasil conta com a contribuição da norma NBR-6401(1980), enquanto para exposição a temperaturas extremas pode se utilizar a Norma Regulamentadora NR-15(1990). Segundo Frota e Schiffer (2001), dentre os vários índices de conforto higrotérmico, para as condições climáticas brasileiras são apresentados apenas três de maior relevância: 

Carta Bioclimática, de Olgyay;



Temperatura Efetiva, de Yaglou e Houghthen; ou Temperatura Efetiva Corrigida, de Vernon e Warner;



Índice de Conforto Equatorial ou Índice de Cingapura, de Webb.

Existe uma zona de conforto delimitada sobre cada um. Entretanto essas “zonas de conforto” devem ser encaradas como uma indicação e analisadas acerca de sua aplicabilidade às condições específicas de projeto e de realidade ambiental. É conveniente para a aplicação dos índices, uma prévia das condições climáticas locais e as relações entre as variáveis consideradas na obtenção do índice e a respectiva “zona de conforto” determinada sobre os gráficos (Frota e Schiffer, 2001). Carta bioclimática A Carta Bioclimática de Olgyay – índice biofísico – foi desenvolvida a partir de estudos acerca de efeitos do clima sobre o homem, quer ele esteja abrigado quer não, de zonas de conforto e de relações entre elementos de clima e conforto (Frota e Schiffer, 2001). É referenciada graficamente por dois eixos: um (ordenadas) contendo as temperaturas de bulbo seco e outro (abscissas) contendo a umidade relativa do ar. A Figura 23 apresenta uma Carta Bioclimática adaptada para habitantes de regiões de clima quente, em trabalho leve, vestindo 0,8 ”clo” (vestimenta leve, cuja resistência térmica equivale a 0,1085 m2°C/W). Esse diagrama possui uma forma interessante na forma de apresentar os dados, em especial, a umidade relativa e a velocidade do ar (Rivero, 1986).

44

50

Insolação Provável

40

1,0 m / s

30

0,4 m / s 0,1 m / s

CONFORTO ÓTIMO

20

100 300 500 800

10

0

Radiação W / m2 Movimento do Ar

TEMPERATURA DE BULBO SECO (°C)

60

10

20

30

40

50

60

70

80

90

100

UMIDADE RELATIVA (%)

Carta Bioclimática de Olgyay adaptada para habitantes de regiões de clima quente, em trabalho leve, vestindo 0,8 “clo”. Fonte: Antunes adaptado de Frota e Schiffer (2001).

Na região central da Carta está delimitada a zona de conforto. Se o ponto determinado pelas condições de temperatura de bulbo seco e de umidade relativa do ar cair acima da zona de conforto, será necessário recorrer-se ao efeito do movimento do ar. Se a temperatura seca do ar é elevada e a umidade é baixa, o movimento do ar pouco favorece. Quanto à região abaixo do limite inferior da zona de conforto, as linhas representam a radiação necessária para atingir a zona de conforto, em termos de radiação solar ou em termos de aquecimento do ambiente. Segundo Lamberts et al. (1997), a carta de Olgyay possui aplicabilidade efetiva a áreas externas. Em 1992, Givoni corrigiu a carta de forma a adaptar-se as temperaturas internas do edifício. Índice de temperatura efetiva A Temperatura Efetiva, de Yaglow e Houghten, de 1923, foi definida pela correlação entre as sensações de conforto e as condições de temperatura, umidade e velocidade do ar, procurando concluir quais são as condições de conforto térmico. É um índice subjetivo. Essas correlações são apresentadas sob a forma de nomograma (Frota e Schiffer, 2001). Este método era adotado pelo Ministério do Trabalho para avaliação de condições térmicas dos trabalhadores. Em 1932, Vernon e Warner apresentaram uma proposta de correção para o índice de Temperatura Efetiva, utilizando a temperatura do termômetro de globo em vez de temperatura seca do ar, para base dos cálculos, posto que a temperatura de radiação, sendo superior ou inferior à temperatura seca do ar, proporciona alterações na sensação de conforto. Existem

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indicações das duas escalas no nomograma da Figura 24. A zona de conforto térmico delimitada sobre o nomograma de Temperatura Efetiva para pessoas normalmente vestidas em trabalho leve e se referindo a habitantes de regiões de climas quentes, foi adaptada por Koenigsberger et al., apud Frota e Schiffer (2001).

Nomograma de Temperatura Efetiva para pessoas normalmente vestidas, em trabalho leve. Fonte: Koenigsberger, apud Frota e Schiffer (2001).

Quando se possui temperatura seca, ou do termômetro de globo, umidade e velocidade do ar, esse nomograma pode ser utilizado em conjunto com a Carta Psicrométrica, a qual fornecerá as correspondências entre a temperatura do termômetro de bulbo seco e a temperatura do termômetro de bulbo úmido, a partir dos dados de umidade relativa. Índice de conforto equatorial - ICE Webb, apud Frota e Schiffer (2001), desenvolveu este índice especificamente para habitantes de climas tropicais, preferencialmente quente e úmido. Baseou-se em observações feitas em Cingapura, em habitações correntes e em uma escala climática desenvolvida especialmente para condições tropicais, procurando correlacionar os valores dessa escala com a sensação de calor, tendo incorporado dados referentes ao P4SR (Previsão da Produção de Suor em 4 horas, que é um índice fisiológico desenvolvido por McArdle, do Royal Naval Research

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Establishment) e chegou a um nomograma (Figura 25a) semelhante ao da Temperatura Efetiva. O gráfico de conforto de Cingapura (Figura 25b) foi elaborado com base em dados obtidos a partir da psicologia experimental e análise de testes aplicados em indivíduos completamente aclimatados na região. Esse gráfico indica a existência de um optimum em conforto na faixa de 25,5°C na escala I.C.E. (Frota e Schiffer, 2001).

(a) (b) (a) Nomograma de Índice de Conforto Equatorial. (b) Gráfico de conforto para indivíduos residentes em Cingapura Fonte: Webb apud Frota e Schiffer (2001).

Edificação Conforme Aroztegui (1993), as primeiras decisões globais na concepção arquitetônica, como a forma, a orientação, a distribuição do espaço e de transparências, entre outros, são decisivas na qualidade térmica do ambiente interno. As trocas térmicas entre os corpos advêm de uma das duas condições básicas: 

existência de corpos que estejam a temperaturas diferentes;



mudança de estado de agregação.

No âmbito do conforto higrotérmico, o elemento que proporciona as trocas térmicas por mudança de estado de agregação – sem mudança de temperatura – é a água, e apenas nos

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casos de passar do estado líquido para o estado de vapor e do estado de vapor para o estado líquido. O calor envolvido nestes mecanismos de troca é denominado calor latente. Tais mecanismos são denominados: evaporação e condensação, respectivamente. Os mecanismos de trocas secas são convecção, radiação e condução. Nas estruturas de membranas tensionadas, o processo de trocas de calor deve ser analisado, tendo em vista seu comportamento como vedação translúcida9. Para o ambiente construído em sistemas de tensoestruturas, sob o enfoque térmico, Freitas (2002) considera: 

Transferência por condução: devido à espessura muito fina dos tecidos estruturais, a transferência de calor por efeito da condução desses materiais é pouco relevante, uma vez que a diferença entre a temperatura do ar interna e externa à membrana será praticamente nula.



Transferência por convecção: esse fenômeno será tanto mais significativo quanto maior for o percentual de área da membrana em relação à área total construída. É possível minimizar esse efeito por meio de alguns recursos específicos, por exemplo, a utilização de camadas múltiplas, com espaçamento entre os mesmos.



Transferência por radiação: constitui o problema fundamental da condução de calor nas estruturas em tecido, seja no que se refere à proteção do ambiente interno do ganho de calor externo (caso de climas quentes), como quando se deseja evitar a perda do calor produzido no interior das construções para a área externa a essas (no caso de climas frios).



Condensação: quando existe uma diferença significativa entre a temperatura externa à membrana e a sua temperatura interna, observa-se o fenômeno da condensação, o qual, dependendo do caso, pode provocar não só a transpiração do material, como também o gotejamento no interior do ambiente construído.

Blum (2003) acrescenta que a transferência por radiação, que em geral nas construções tradicionais não é relevante, no caso das tensoestruturas torna-se uma variável a se trabalhar, principalmente, no que tange às ondas longas infravermelhas. O uso de camadas múltiplas tem auxiliado na minimização desse processo. Esse autor tem estudado formas de alterar as propriedades da membrana em relação aos raios infravermelhos, porém sem exterminar o apelo lumínico, tão desejado nesse sistema construtivo.

9

Exceto para lonas tipo black out.

48

Sobre esses novos estudos, Freitas (2002) cita a pesquisa desenvolvida pelo laboratório Blum, pela TransSolar e pelo escritório de engenharia Werner Sobek, em Stuttgart, Alemanha, juntamente com o escritório de arquitetura Hemut Jah, em Chicago, EUA, para o projeto do novo Aeroporto Internacional de Bangkok. A pesquisa refere-se à especificação de novos materiais denominados “Low-E Materials – Low Emitance of IR Radiation”, ou seja, materiais de baixa emissão de radiação infravermelha. Tais materiais permitem um maior isolamento térmico das membranas, pois reduzem a transferência de calor por radiação, que é o problema crítico das mesmas. A importância desses se dá em climas quentes, amenizando o aquecimento do ambiente interno devido à radiação solar, como em países de clima temperado e frio, onde diminuem a perda por radiação do calor produzido no interior das construções pelos sistemas de aquecimento, implicando um isolamento térmico maior e, portanto, racionamento de energia. Freitas (2002) também cita princípios a se utilizar no sentido de alcançar melhores desempenhos térmicos nas edificações em climas quentes, como: 

aumento de espessura do material (desenvolvendo-se novos materiais);



utilização de várias camadas de tecido, normalmente intercaladas com ar, criando “sanduíches” de ar para aumento da capacidade de isolamento térmico;



associação de sistemas ativos e passivos de controle dos níveis de conforto;



estudo crítico da arquitetura vernácula10 de um dado local para adaptar e transferir costumes locais a uma nova tecnologia, no caso a das tensoestruturas.

Alguns projetistas têm se preocupado com as questões térmicas em tensoestruturas e criam condições para implementação de desempenho térmico-ambiental em suas obras. Como exemplos citam-se:

10

Arquitetura vernácula – arquitetura própria da região em que se encontra.

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Tenda modular para Malásia (escritório de arquitetura: SL-Rasch Gmbh, Stuttgart, Alemanha). Figuras 26a e 26b.

(a) (b) (a) Vista externa tenda modular (b) Vista interna tenda modular. Fonte: SL-Rasch Gmbh (2004)c.

Esse projeto constitui um exemplo de estudo de adaptação da tensoestrutura às condições climáticas tropicais. A forma foi inspirada na arquitetura local. O clima da Malásia tem como características alta umidade e altas temperaturas, além de chuvas torrenciais. A fim de aumentar o isolamento térmico, utilizam-se várias camadas, criando-se um colchão de ar entre as mesmas. O elemento mais importante encontra-se na camada superior da cobertura: trata-se de uma membrana perfurada e aluminizada, com uma trama levemente aberta, que tem a função de criar uma sombra ventilada, como a das árvores. Assim evitase que a segunda camada seja diretamente aquecida, e, portanto, diminui-se a transmissão de calor ao ambiente interno. A lona perfurada também contribui para atenuar o ruído provocado pelas chuvas tropicais, problema recorrente em tensoestruturas. As camadas abaixo permitem isolamento térmico e ajudam a evitar a condensação. Controlam também os níveis de iluminamento no ambiente interno. As membranas são modulares e podem ser armadas em diversas combinações de acordo com o local onde são montadas. Os módulos podem ser instalados nos mais variados locais, visto que suas hastes possuem ajuste de 50cm (SL-Rasch Gmbh, 2004c).

50



Pavilhão da Venezuela na EXPO 2000 – Hanover, Alemanha. (Projeto do arquiteto venezuelano Fruto Vivas em colaboração do estúdio SL-Rasch Gmbh). Figuras 27a e 27b.

(a) (b) (a) Pavilhão da Venezuela com cobertura fechada (b). Com cobertura aberta. Fonte: SL-Rasch Gmbh (2004)a.

A estrutura possui forma de flor, dividida em seis coberturas em forma de pétala. Possui sistema retrátil hidráulico, sincronizado nas pétalas, que abriam e fechavam de acordo com a variação das condições de insolação ou de acordo com a presença ou ausência de chuvas. O pilar metálico central além de abrigar o mecanismo hidráulico, comporta um elevador. Todo o processo de projeto, fabricação montagem durou cinco meses (SL-Rasch Gmbh, 2004a). 

Show room para loja de móveis em Leonberg, Alemanha (Projeto: Frei Otto, 2000).Figura 28a e 28b.

(a)

(b) (a) Vista show room loja de móveis (b) Vista interna. Fonte: SL-Rasch Gmbh (2004)b.

As coberturas dos dois pavilhões são idênticas e constituídas de três camadas de tecido, com colchão de ar entre essas. No centro de cada membrana, encontra-se um mecanismo móvel, que permite a abertura parcial da membrana para exaustão do ar quente, favorecendo a ventilação natural durante os meses de verão. Quando fechado este mecanismo, obtém-se a redução da área interna e, portanto, a diminuição do volume de ar

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interno a ser aquecido no período invernal ou refrigerado no verão. As fachadas são trabalhadas em vidro e estruturadas em madeira. Um dos requisitos de projeto foi a possibilidade de deslocamento da estrutura (SL-Rasch Gmbh, 2004b).

Comportamento lumínico Usuários Luz pode ser definida como uma fonte de radiação que emite ondas eletromagnéticas de diferentes comprimentos, sendo o olho humano sensível somente a alguns. Então, luz é a radiação eletromagnética capaz de produzir uma sensação visual (Figura 29) (Osram, 2004).

Espectro de ondas eletromagnéticas. Fonte: Osram, (2004).

A faixa de radiações das ondas eletromagnéticas detectada pelo olho humano (luz visível) se situa de aproximadamente 0,38 m a 0,78 m, sendo o menor valor o limite dos raios ultravioleta e o maior ao dos raios infravermelhos (Tibiriçá, 1997). Examinando a radiação visível, verifica-se que, além da impressão luminosa, obtém-se também a impressão de cor. Essa sensação de cor está intimamente ligada aos comprimentos de onda, com as respectivas diferentes cores produzindo diversas sensações de luminosidade, ou seja, o olho humano não é igualmente sensível a todas as cores do espectro visível (Moreira, 1987). A curva de sensibilidade do olho humano demonstra que radiações de menor comprimento de onda (violeta e azul) geram maior intensidade de sensação luminosa quando há pouca luz (ex. crepúsculo, noite), enquanto as radiações de maior comprimento de onda (laranja e vermelho) se comportam ao contrário (Figura 30) (Osram, 2004).

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Curva de sensibilidade do olho a radiações monocromáticas. Fonte: Osram, (2004).

O conforto visual refere-se a condição de exposição visual a que o usuário fica sujeito. Isto implica em dispor-se da quantidade de luz que permitirá a realização de uma atividade visual sem provocar danos ao aparelho visual humano (Tibiriçá, 1997). Vianna e Gonçalves (2001) acrescentam que o homem é um ser totalmente dependente da luz, pois cerca de 70% da percepção humana é visual. Ela faz parte da sua vida, do seu dia-a-dia, do seu modo de habitar. Desde que nasce, o homem está sendo submetido ao ritmo da natureza, da existência da noite e do dia, elementos que são condições necessárias para que ele se sinta pertencente ao próprio tempo. Assim, os aspectos importantes relacionados à qualidade lumínica do ambiente interno e ao bem-estar visual dos usuários são (Tibiriçá, 1997): 

provisão de luz natural e admissão da luz solar;



contato e comunicação visual com o mundo exterior com um alcance visual tão amplo quanto possível;



quebra da monotonia nos espaços fechados.

Edificação A qualidade no projeto decorre da capacidade em adequar cada tipo de edificação ao problema específico de requisitos de iluminação e de intensidade da luz natural nas necessidades operacionais em cada ambiente e/ou posto de trabalho (Tibiriçá, 1997). Conforme Scarazzato, apud Vianna e Gonçalves (2001), os valores de iluminância para céu parcialmente encoberto (parcialmente nublado), para dias típicos de verão em Vitória-ES, em planos verticais são indicados no Quadro 3. Quadro 3. Valores de iluminância para céu parcialmente encoberto (parcialmente nublado), para dias típicos de verão, em Vitória-ES, em planos verticais.

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HORA 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18

N(lux) 11.600 15.000 17.700 20.900 22.200 20.400 17.000 14.500 10.900 6.600 1.800

NE(lux) 33.800 41.100 10.100 32.300 19.900 16.400 13.700 10.700 7.500 4.300 1.100

E(lux) 49.00 55.800 50.200 35.800 18.500 15.600 12.600 9.700 6.800 3.900 1.000

SE(lux) 41.100 45.100 39.600 28.300 18.300 16.000 13.700 11.200 8.400 5.300 1.500

S(lux) 17.000 18.000 17.300 17.900 18.300 17.800 17.200 17.000 16.500 10.800 2.800

SW(lux) 9.000 11.700 14.100 16.400 18.600 30.500 41.000 45.100 39.200 21.500 4.400

W(lux) 7.300 10.200 13.100 16.100 20.400 38.800 51.900 55.600 46.400 24.300 4.700

NW(lux) 8.100 11.200 14.200 16.900 22.400 34.100 40.800 40.400 31.700 16.100 3.300

Fonte: Scarazzato, apud Vianna e Gonçalves (2001).

No intuito de se trabalhar a eficiência energética na arquitetura, as membranas aparecem como uma solução. Essas, em geral, possuem um índice de translucidez alto, adequando a iluminação zenital, e gerando um iluminamento bem distribuído. Parício (1999) acrescenta que o comportamento da membrana mediante a luz natural dependerá do volume do material e sua resistência, da cor e dos revestimentos. Em geral, tecidos claros e de baixa espessura permitem uma porcentagem de radiação e absorção, sendo a maior parte refletida; tecidos densos e escuros apresentam baixa transmissividade e reflexão, absorvem muito e, portanto, irradiam calor. Tendo em vista a existência de fontes de luz natural e artificial, no projeto cabe explorar ambas no sentido de conjugar eficiência energética com conforto visual (Tibiriçá, 1997). A norma brasileira NBR-5413(1982) apresenta iluminâncias médias (lux) recomendadas para vários ambientes. Segundo Mollaert (2002), de forma geral, uma transmissão de 6% de luz natural para o interior da edificação é suficiente para trabalhar sem luz artificial durante o dia. A alta transmissividade de luz pode gerar ofuscamentos, que devem ser evitados com algum dispositivo de proteção, tais como brises. O uso de luz natural deve ser incentivado, principalmente em face da quantidade de luz do dia disponível ao longo do ano em todo o território brasileiro. Para explorar a luz natural, são fatores básicos (Tibiriçá, 1997): 

a quantidade de luz disponível no lugar onde se situa o edifício;



a situação e o tamanho das aberturas pelas quais se admite a luz no edifício;

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o uso de materiais apropriados, transparentes ou translúcidos, para se colocar nas aberturas para distribuir a luz natural e para satisfazer os requisitos de resistência às intempéries e ao isolamento térmico e acústico.

A membrana clara ainda permite iluminação indireta, valorizando não só o ambiente interno, como também a volumetria externa. Em alguns casos, a cobertura, pode ser utilizada como um grande telão, onde projetores trabalham a mensagem ou a iluminação requerida, como num grande outdoor.

Comportamento acústico Usuários Para tratar da acústica e seu comportamento, em primeiro lugar deve-se citar o meio pelo qual o receptor – usuário receberá o som: o ouvido humano. Esse é um sistema bastante sensível, complexo e seletivo. A recepção e a análise do som pelo ouvido humano são processos complicados que ainda não são totalmente conhecidos (Gerges, 1992). O ouvido pode ser dividido em três partes: ouvido externo, médio e interno, conforme Figura 31.

O ouvido e suas partes. Fonte: Santos, (1994).

Dá-se o nome de som às ondas de pressão mecânicas (vibrações) que se propagam num meio elástico e que por estarem dentro de uma determinada faixa de freqüências (audiofreqüências) podem ser ouvidas pelo homem (Nepomuceno, 1994).

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Ruído pode ser entendido como todo som que não seja desejado pelo receptor (De Marco, 1982). Para os usuários, os ruídos podem provocar acidentes de trabalho, internações psiquiátricas e jornadas de trabalho perdidas (Rosa e Slama, 1993). Rosa e Slama (1993) sugerem que em qualquer situação acústica sejam considerados três elementos: fonte, propagação e recepção. Se a fonte for desejável, como, por exemplo, música e fala, trata-se o local para que haja condições favoráveis de emissão, transmissão e recepção. Sendo indesejável, o melhor será o tratamento da fonte. Edificações O desempenho acústico é determinado pelas características da membrana para reflexão e absorção do som, e pela geometria e volumetria do espaço (Mollaert, 2002). Segundo Simões (2002b), a acústica das tensoestruturas ainda é pouco conhecida, porém, em muitos casos, é altamente requerida. Em principio Simões (2002b) trata o tensionado como edificação de comportamento deficiente do ponto de vista acústico. Edificações mal projetadas formam verdadeiras caixas de ressonância, amplificando ruídos e problemas. Para projetar conscientemente, do ponto de vista acústico, é necessário conhecer noções básicas de acústica arquitetônica. Para analisar o comportamento de espaços abertos com membranas de poliéster revestido de PVC, Simões (2002a) efetuou medições de tempo de reverberação, inteligibilidade da palavra e ruído de fundo em cinco edifícios: três foram construídos para a EXPO-92 de Sevilha, Espanha; a piscina olímpica coberta do Poliesportivo San Pablo (1994); e o Auditório Araújo Vianna (1996), em Porto Alegre. O autor concluiu que as coberturas apresentam um bom comportamento como absorventes de baixas freqüências e pouco absorventes de médias e altas freqüências. Para obter bons níveis de conforto acústico, deve-se buscar superfícies onde se possa aumentar a absorção dos sons médios e agudos, utilizando cortinas, tapetes, estofados pesados e revestimentos de materiais porosos. Mollaert (2002) ressalta que para melhorar o comportamento acústico das membranas, camadas adicionais devem ser inseridas visando à obtenção de maior massa e reflexão suficiente a todas as freqüências. Blum (2003) avaliou a redução do nível de ruído e o tempo de reverberação em salas retangulares de 200m3, com uma camada e com duas camadas nas seguintes distâncias: 0,25m, 0,5m e 1,0m. Traçando-se uma linha das máximas e das mínimas concluiu-se que as

56

membranas de camada dupla possuem comportamento similar, onde para baixas freqüências alcança-se redução na ordem de 20dB e acima de 1000 Hertz a redução aumenta para acima de 60dB. ASCE (1996), considera que o desempenho acústico de uma manta estrutural é caracterizado pela alta refletividade de vibrações sonoras, particularmente em freqüências na classe de 500 a 2000 Hertz. Esta refletividade pode resultar num som pobre para performances musicais e dificuldade na velocidade de entendimento. A reflexão do som enfocada obriga a adaptação das formas geométricas de algumas tensoestruturas podendo desencadear um bom desempenho acústico, particularmente em estruturas suportadas pelo próprio ar (estruturas pneumáticas) ou coberturas suportadas por arcos que apresentam uma cobertura de perfil geralmente côncavo voltado para dentro. A perda de propagação do som através da manta é outra consideração importante em locais como aeroportos ou outras estruturas onde se deseja proteger os ocupantes da construção de barulhos externos. Como o som é reflexivo, a perda da propagação é altamente dependente da freqüência da vibração. Testes em mantas estruturais indicaram uma perda moderada da propagação: de aproximadamente 5 decibéis, em 100Hz, para 30 decibéis, em 5000Hz. O isolamento com fibra de vidro, entre as duas camadas de revestimento na manta, pode aumentar a perda de propagação sonora. Placas verticais podem ser também suspensas em intervalos sobre a manta para aumentar a absorção sonora e quebrar a geometria curvada da cobertura (ASCE, 1996). Como normas para o conforto acústico pode-se citar: NBR-10151(2000) e NBR-10152(1987). Além da NR-15(1990) para ruídos em atividades insalubres, e a NHO-01(1999), para avaliação de exposição ocupacional.

Aspectos metodológicos de avaliação pós-ocupação A avaliação pós-ocupação pode ser definida como uma avaliação retrospectiva, no sentido de repensar o projeto a partir da implantação e da utilização dos ambientes construídos; sendo adotada para diagnosticar e recomendar, segundo uma visão sistêmica e realimentadora, modificações e reformas no ambiente objeto da avaliação e para aprofundar o conhecimento sobre este ambiente, tendo-se em vista futuros projetos similares. É aplicada através de multimétodos e técnicas e leva em conta o ponto de vista dos especialistas/avaliadores e dos usuários dos ambientes, leigos ou não (Ornstein et al., 1995).

57

Rabinowitz, apud Leite (1997), afirma que a primeira APO formal e compreensiva ocorreu na Grã-Bretanha, tendo sido estudados edifícios de escritórios e escolas, através das Unidades de Pesquisa Pilkington, da Universidade de Liverpool, e da Universidade de Pesquisa do Desempenho de Edifícios, da Universidade de Strachclyde – Glasgow, Escócia. Esses estudos contemplaram a avaliação técnica, funcional e comportamental. São citados também estudos em edifícios em uso (escolas primárias), realizados na Universidade de Winsconsin, Milwaukee, nos Estados Unidos, pelo Departamento de Arquitetura, os quais contemplam os mesmos aspectos acima citados. Conforme Leite (1997), no Brasil a APO é um campo novo de conhecimento para as áreas de Arquitetura e Engenharia. Entretanto tem despertado interesse, tanto no meio acadêmico quanto no empresarial. Pesquisas têm sido realizadas junto ao NUTAU (Núcleo de Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo). Podem ser citadas: avaliações de desempenho em edifícios da rede pública de Escolas de Primeiro e Segundo Graus, em Conjuntos Habitacionais e em Edifícios de Escritórios, com ênfase para os aspectos de comportamento dos usuários e ambiente de trabalho. A APO pode ser definida também como uma metodologia que pretende, a partir da avaliação de fatores técnicos, funcionais, econômicos, estéticos e comportamentais do ambiente em uso, e tendo a opinião dos técnicos, projetistas e clientes/usuários, diagnosticar aspectos positivos e negativos, definindo, para este último caso, recomendações que: 

em primeiro lugar, minimizem, ou até mesmo corrijam, problemas detectados no próprio ambiente construído submetido a avaliação, através do estabelecimento de programas de manutenção e de conscientização do público usuário, da necessidade de alterações comportamentais, tendo em vista a conservação do patrimônio público ou privado;



em segundo lugar, utilizar os resultados destas avaliações sistemáticas (estudos de caso) para realimentar o ciclo do processo de produção e uso de ambientes semelhantes, buscando otimizar o desenvolvimento de projetos futuros. Ou seja, pode-se dizer que a APO pode ser entendida como um método interativo que detecta patologias e determina terapias no decorrer do processo de produção e uso de ambientes construídos, através de participação intensa de todos os agentes envolvidos na tomada de decisões.

A Figura 32 é uma síntese metodológica para a aplicação da APO.

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- identificação do estudo de caso - coleta de dados - organização de informações

- planejamento

- estudo

- desenvolvimento de programas

preliminar

ALTERNATIVAS

CONSTRUÇÃO

- uso - operação - manutenção

A

B

- planejamento - desenvolvimento de programas

C

Fase 1 - Produção

Fase 2 - Uso

A relação entre a avaliação pós-ocupação e as etapas do processo produtivo. Fonte: Ornstein, (1992).

Na Figura 32 deve-se ressaltar que se delimitam duas fases ao ciclo de vida do processo de produção: a fase de produção - referente ao planejamento, projeto, especificação e seleção de materiais e a efetiva construção da edificação - e a fase de uso - compreende o período ao qual o edifício passa a ter um valor de uso, desempenhando assim seu papel social. Para se operacionalizar mais efetivamente a avaliação pós-ocupação, deve-se utilizar ao mesmo tempo os vários métodos e técnicas existentes, sendo que cada um deles é específico para cada problema a ser investigado; as condições de cada pesquisa influenciarão a seleção do método mais indicado. Os métodos de pesquisa podem ser classificados em qualitativos, que focalizam a determinação de validade da investigação, e quantitativos, que investigam uma maior variedade de fenômenos e determinam a confiabilidade das meditas adotadas (Costa Junior, 2001). Apesar de cada pesquisa utilizar o método mais conveniente para o respectivo caso específico, quatro métodos de campo merecem ser enumerados (Costa Junior, 2001): 

Observações visuais: avaliação visual do ambiente construído, com o objetivo de gerar dados a respeito das atividades realizadas, das regularidades de comportamento, de oportunidades e restrições de uso proporcionadas pelo projeto.



Entrevistas: aborda-se mais profundamente determinadas questões, possibilitando algumas explicações, que em certas ocasiões não seriam obtidas através dos questionários ou das observações visuais.

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Questionários: são utilizados para identificar e confirmar informações entre grupos de pessoas, através da comparação das respostas dadas a um mesmo conjunto de perguntas feitas para um número representativo de usuários. As perguntas são elaboradas com o objetivo de mensurar de forma indireta, através de informações comparáveis e quantificáveis, a reação dos usuários em relação à satisfação de aspectos técnicos, funcionais ou comportamentais do ambiente construído.



Levantamentos físicos: investigam o ambiente quanto ao seu desempenho, através de medições que podem ou não incluir a utilização de aparelhos e equipamentos.

Ornstein (1992) defende ainda a tendência da APO no Brasil, que poderá continuar a ser global, ou também poderá ser aplicada para se diagnosticar e fazer recomendações a uma área específica, como se trata no presente trabalho, em que se inclui o aspecto conforto ambiental em tensoestruturas, no Brasil.

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MATERIAIS E MÉTODOS

Introdução A presente pesquisa foi desenvolvida na cidade de Vitória-ES, Brasil (Figura 33), referenciada geograficamente nas coordenadas 20 19’S de latitude, 40 20’W de longitude, e altitude média de 31m (Frota e Schiffer, 2001).

Inserção de Vitória-ES no mapa do Brasil. Fonte: Guia Geográfico, (2004).

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A parte experimental foi realizada no período de verão compreendido de 26 de fevereiro a 18 de março de 2004. Optou-se por trabalhar nas condições de verão, visto que essa época é a mais desfavorável do ponto de vista de conforto higrotérmico.

Local do estudo de caso O estudo de caso foi realizado em imóvel localizado na rua Desembargador Demerval Lírio, n 456-Lote2, Quadra 97, Mata da Praia/ES (Anexo A, B e C). Trata-se de um espaço barrestaurante, que funciona durante o dia como restaurante self-service; à noite são servidos pratos a la carte e porções de churrasco (Figuras 34, 35 e 36). O ambiente estudado é constituído de uma cobertura em estrutura tensionada, e uma construção convencional anexa. A área estudada foi limitada à de inserção da tensoestrutura. Engloba o ambiente de consumo destinado aos clientes, o caixa, o bar e a churrasqueira (esta, especificamente, possui laje sobre a qual se estende o tensionado).

Vista da cobertura tensionada. Fonte: autora.

Inserção urbana do tensionado. Fonte: autora.

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Vista interna panorâmica do restaurante. Fonte: autora.

No sentido formal, trata-se de cobertura tensionada duplo conóide, sendo esses descentralizados (Figura 37).

Planta de cobertura esquemática estudo de caso.

A lona utilizada nesta obra foi da marca Mehler Valmex FR 1000, modelo Mehatop F, Tipo III, referência 7269, trama 10,5mmx10,5mm e largura de rolo de 2,50m. Trata-se de lona em poliéster, na cor branca. A estrutura de suporte da cobertura é feita de eucalipto, e os elementos utilizados para ancoragem são as correntes (Figuras 38a e 38b).

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(a)

(b) Detalhes: (a) pilar de eucalipto e (b) correntes. Fonte: autora.

A cobertura abrange uma área de aproximadamente 187,60m2 com pé-direito máximo de 7m e médio de 4,50m. Os troncos de cones alinhados no sentido longitudinal do terreno apresentam um lanternim cônico nos ápices, com mesmo material de acabamento, de diâmetro de base de 1m (Figura 39).

Corte longitudinal esquemático do estudo de caso.

Caracterização climática de Vitória Foram utilizadas as normais climatológicas fornecidas pelo Departamento Nacional de Meteorologia (DNM), do período de 1961 a 1990 (Quadro 4 e Figura 40).

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Quadro 4. Quadro das normais climatológicas de Vitória-ES, de 1961 a 1990. Mês

Mínima Absoluta

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

17,4 19,9 18,1 18,2 16,0 14,9 14,3 14,5 14,2 15,8 16,0 17,2

Temperatura °C Média das Média Média das Mínimas Máximas 23,1 23,7 23,4 22,3 20,8 19,5 18,8 19,2 19,8 20,8 21,6 22,4

26,3 26,9 26,5 25,2 23,7 22,5 21,7 22,2 22,6 23,5 24,4 25,4

30,9 31,6 31,1 29,4 27,9 26,7 25,9 26,6 26,5 27,3 28,2 29,6

Máxima Absoluta 39,0 37,9 36,8 36,2 36,0 33,3 33,2 34,9 34,6 37,4 36,8 37,2

Precipitação (mm)

Insolação (h)

143,0 82,4 111,1 89,3 80,7 65,1 78,4 55,0 78,3 126,6 170,5 195,2

226 230 220 199 204 190 191 206 160 153 156 177

Fonte: DNM, (1992) e htttp://inmet.gov.br/climatologia/combo_climatologia_E.html, (2004).

TEMPERATURAS DO AR VITÓRIA-1961/1990

45

mínima absoluta mínima média máxima máxima absoluta

40

T(°C)

35 30 25 20 15 10 Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out Nov Dez

MESES Temperaturas normais climatológicas de Vitória, de 1961 a 1990.

Segundo Mascaró (1983), o projeto climático deve basear-se em condições típicas ou normais e não em condições extremas. Para isso, são suficientes as médias mensais das máximas e mínimas diárias, sendo conveniente que o projetista estude algo sobre os extremos climáticos que podem ocorrer e sua freqüência. Os dados sobre a temperatura e a umidade do ar propiciam uma perspectiva dos rigores climáticos possíveis. A informação sobre as variações diárias e anuais de temperatura e as médias pluviométricas e de vento complementam o quadro tradicional e, ao mesmo tempo, indicam os possíveis meios de aliviar as condições naturais mais desagradáveis.

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De acordo com as normais climatológicas, Vitória apresenta temperaturas médias na faixa de 21,7°C (julho) a 26,9°C (fevereiro). Em relação à precipitação, tem-se mínima no mês de agosto com 55mm e máxima no mês de dezembro de 195mm. A insolação mínima foi de 153h em outubro e a máxima de 230h em fevereiro.

Metodologia para coleta de dados nas duas etapas do experimento O plano de ação elaborado para realizar a coleta de dados para a pesquisa compreendeu um levantamento quantitativo e outro qualitativo.

Levantamento quantitativo Os procedimentos metodológicos de medição consistiram de duas fases. Na primeira fase as medições foram realizadas num estudo de caso na Mata da Praia (Figuras 34, 35, e 36), e na segunda fase foram medidos painéis de 12cmx17cm, inseridos em cavaletes (Figura 41), de vários tipos de lona, no campus da UFES. As variáveis ambientais, registradas do dia 26/02/04 ao dia 02/03/04 (quinta-feira a terçafeira), foram temperatura de bulbo seco e bulbo úmido, umidade relativa e velocidade do ar, temperatura de globo negro, temperatura superficial, iluminamento e refletância.

Vista cavalete. Fonte: autora.

Para obter a temperatura de bulbo seco (TBS) e a temperatura de bulbo úmido (TBU) foi utilizado o aparelho psicrômetro giratório (Bacharach 12-7013 Mercury °C); para a temperatura radiante média, o termômetro de globo negro (Incoterm); para a temperatura de superfície, o termômetro digital (Salvterm, 1200); para o movimento do ar, o anemômetro

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(Lutron, AM-4201, n L388515); para o nível de ruído, o decibelímetro (Lutron, SL-4001, n L 068107). As medições foram feitas durante 6 dias, centradas nos seguintes horários civis: às 6h, 9h30min, 12h30min, 15h30min, 18h30min, 21h e 23h (esse último horário foi medido nos primeiros 3 dias). O horário final de medições foi estipulado, de acordo com o provável horário que a temperatura externa estivesse em equilíbrio com a interna. Ao todo, foram estabelecidos treze pontos de medições. A cobertura foi dividida em 5 pontos, sendo 1 central e 4 nas extremidades(pontos 6 a 10); para a temperatura de globo negro implantaram-se três pontos (pontos 11 a 13) suspensos (h=2,40m); a refletância foi medida em um ponto paralelo ao ponto 13 na superfície da lona (Anexo C). Além desses, 5 pontos externos foram medidos (pontos 1 a 5). O termômetro de superfície foi aplicado em h=0cm: na superfície do piso interno, da calçada, da rua e do terreno lindeiro ao estudo de caso. Já em h=2,00m, mediu-se a temperatura superficial do muro, interna e externamente. O restante das medições foi efetuado numa altura aproximada de 1,15m, a qual corresponde a uma altura aproximada do rosto dos usuários sentados no restaurante (Anexo C). Para o registro das variáveis ambientais foram empregados os instrumentos no seguinte caminhamento: luxímetro para iluminamento e refletância, psicrômetro giratório para temperatura de bulbo úmido e bulbo seco, anemômetro para velocidade do vento, decibelímetro para nível de ruído, termômetro de superfície e termômetro de globo negro para temperatura radiante (somente na área interna coberta e em três pontos). O tempo gasto nessas medições variou entre 30min e 45min. As medições necessitaram de duas pessoas, uma operou os equipamentos, enquanto a outra registrou todos os dados. Foram observadas as condições de céu e também foi utilizada a carta solar para observar as influências do sol no estudo de caso. Nas medições lumínicas da primeira fase, foi utilizado um anteparo visando alcançar apenas a radiação difusa, visto ser esse tipo de radiação a que atinge internamente a tensoestrutura. Para as medições de refletância, foi utilizado o seguinte processo: instalou-se uma folha A4 de cartolina branca na membrana e com o luxímetro voltado para o céu obteve-se um valor (L1). O segundo valor (L2), foi obtido virando-se o sensor do luxímetro para a folha de cartolina, afastando-o 25cm. A partir daí, retirou-se a folha A4 da cobertura e efetuou-se o mesmo processo obtendo-se (L3) e (L4). R(refletância) = L4/L3 * 100

(7)

67

L2/L1 As medições ocorreram em dois dias que apresentaram céu claro no horário de 12:30h. Antes de cada medição foram observadas e anotadas as condições de cobertura do céu e do sol, de acordo com o Quadro 5 das Normas de Iluminação Natural do LABEEE (1999). Em caso de chuva, esta também foi registrada. Quadro 5. Condições do céu.

Condição do céu 1 – Céu claro: é quando a abóbada celeste está coberta de nuvens de 0% a 35% da superfície total. 2 – Céu parcialmente encoberto: é quando a abóbada celeste está coberta de nuvens em 36% a 75% da superfície total. 3 – Céu encoberto: é quando a abóbada celeste está coberta de nuvens em mais de 76% da superfície total. Fonte: LABEE, (1999).

Visibilidade Solar D - Descoberto DV – Disco visualizável

PE – Parcialmente encoberto E - Encoberto

A segunda medição utilizou apenas o luxímetro, sendo feita no horário aproximado de 12h com sol descoberto e encoberto, com as membranas fixadas em uma moldura de 12cmX19cm de lado. Essas foram posicionadas, em cavalete com h=1m, perpendiculares à direção de incidência dos raios solares. O sensor foi posicionado sobre a face superior do material para uma leitura. Posteriormente, o sensor foi posicionado colado à face inferior do material e também foi efetuada uma leitura. Esta metodologia foi adaptada de Brito (2000).

Levantamento qualitativo Nas medições das 12h30min e 21h, foi solicitado a clientes a participação em pesquisa qualitativa (Anexo D), referente a sua satisfação no ambiente. Esses horários foram definidos com os proprietários como os de maior afluência. O número de entrevistados dependeu da quantidade de freqüentadores nos diferentes horários de cada dia da semana e, preferencialmente, os questionários foram distribuídos alternadamente por mesas. Os questionários foram elaborados segundo metodologia de APO e, também, com base em estudo de Inkarojrit (1998).

Análise dos dados Feitos os levantamentos, os dados foram agrupados e processados com o auxílio de uma planilha eletrônica. A partir daí, compuseram-se gráficos e quadros. Em princípio, os valores seriam separados segundo as condições do céu e do sol avaliadas, porém, devido à grande variabilidade durante os dias de medição, isso não foi possível.

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Os dados térmicos foram avaliados recorrendo-se à carta bioclimática de Olgyay e segundo a NR-15(1990). Os dados lumínicos foram avaliados segundo a norma NBR-5413(1982). Os dados acústicos foram avaliados segundo as normas NBR-10151(2000), NBR-10152(1987) e a NHO-01(1999)-Fundacentro. De forma geral, todos os dados da pesquisa de satisfação do usuário foram avaliados qualitativamente.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Avaliação das variáveis ambientais

Avaliação quantitativa Térmica Temperatura do ar (TBS) As distribuições de temperaturas do ar, interna e externamente à tensoestrutura, de forma geral apresentaram perfis aproximados equivalentes em valor (Figuras 42 e 43). No período das medições, os valores máximos foram verificados de 12h30min a 15h30min. A temperatura máxima média diária externa no período alcançou 33,6°C às 12h30min e 34,3°C às 15h30min e, na área interna, respectivamente, foi de 33,2°C e 32,4°C. As temperaturas mínimas médias diárias foram em torno das 6h da manhã, sendo de 23,4°C na área externa e de 23,1°C na área interna. Nos horários noturnos, até próximo às 24h, houve uma tendência de a temperatura interna ser maior que a externa, devido ao grande número de pessoas e de pratos quentes servidos. A partir desse horário o número de pessoas começa a diminuir. Nos três primeiros dias de medição, observou-se que, no último período diário de medições (de 23h às 24h), as temperaturas interna e externa se equipararam. Ainda que não tenham sido feitas medições entre 24h e 6h, a tendência, pelo fato de o espaço ser semi-aberto, é que em construções desse tipo, as temperaturas interna e externa sejam praticamente iguais nesse período. Os fenômenos de trocas térmicas ocorridos entre a edificação e o meio podem ser visualizados na Figura 44. Os cálculos (Anexo E) reforçam a importância da radiação e da convecção nesse sistema construtivo.

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Temperaturas de bulbo seco área externa. Nota: Os dados foram obtidos a partir das médias dos cinco pontos externos.

Temperaturas de bulbo seco área interna. Nota: Os dados foram obtidos a partir das médias dos cinco pontos externos.

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Esquema dos fenômenos térmicos na tensoestrutura.

Pode-se afirmar que a baixa resistência térmica da membrana é o que mais influencia os resultados térmicos, em especial, quando se compara interna e externamente a edificação. Isso se deve à facilidade de migração do ar externo para o interior da edificação. Nesse sentido, o fenômeno de convecção é de extrema importância em construções de estruturas tensionadas similares, em uso e forma, à estudada. Temperatura de globo negro (TGN) As temperaturas radiantes foram colhidas em três pontos: ponto 11, situado próximo à área da churrasqueira; ponto 12, localizado entre os ápices da cobertura; e ponto 13, posicionado num pilar na extremidade da cobertura (Anexo C). O ponto 11, instalado na área do ambiente da churrasqueira, diferencia-se dos outros pelo ambiente ser restrito por alvenarias e laje impermeabilizada ancorando o tensionado, e pela influência direta da fonte térmica existente (Figura 45). Isso foi constatado comparando-se as TGN mostradas na Figura 46 com as TBS medidas neste local; constatou-se a TGN máxima de 40°C às 18h30min do dia 28/02/04 (sábado) e valores pouco abaixo desse, no domingo. Sendo esses os dias (sábados e domingos) de maior consumo de churrascos, a churrasqueira é ativada logo pela manhã. Além do efeito da churrasqueira, no dia 28/02/04, ocorreu, na medição das 12h30min, a mais alta temperatura do ar observada (33,8°C nos pontos 2 e 6). Constatou-se também uma assimetria de radiação neste ponto.

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Ambiente da churrasqueira.

O ponto 12, por estar localizado numa área de pé-direito maior e sem interferências de fontes geradoras de calor, acompanhou, de forma geral, a temperatura interna do ar no nível dos usuários (Figura 47). No ponto, constataram-se máximas de 34,2°C às 12h30min (dia 02/03/04) e de 34°C às 15h30min (dia 27/02/04); a mínima foi de 24°C às 23h no dia 28/02/04. O ponto 13 apresentou a máxima de 36,5°C às 12h30min (dia 02/03/04) e mínima de 20°C às 23h dia 28/02/04 (Figura 48). Os resultados de medições no ponto 13 apresentam maior amplitude no ponto 12 e se devem à sua localização, que possibilitou maior interação com a área externa, visto que está entre duas curvas catenárias da cobertura, podendo inclusive, receber radiação solar direta, próximo ao muro da divisa e também próximo da membrana. Umidade relativa (UR) Quanto à umidade relativa do ar, as distribuições estão mostradas nas Figuras 49 e 50. Devese ressaltar que por volta de 9h da manhã o restaurante era lavado; no dia 26/02/04, entre 15h e 16h, o restaurante foi lavado também. As máximas umidades relativas externas foram 94% às 6h da manhã do dia 26/02/04 e 90% às 23h do dia 28/02/04. A mínima externa foi 54% no dia 27/02 na medição das 15h30min. Internamente a máxima foi de 94% no dia 28/02/04 às 23h e a mínima de 60% às 15h30min. É importante ressaltar que se o ambiente da estrutura tensionada fosse fechado, com restrições de troca de ar com o exterior, a presença de pessoas e o servir alimentos quentes acrescentariam vapor no ar, modificando a condição de umidade no ambiente. As altas umidades encontradas contribuíram para que a amplitude da temperatura diária fosse baixa, pois as partículas em suspensão após se aquecerem pela radiação solar, funcionam como barreira térmica para essa radiação. Durante o dia, a radiação direta atinge as superfícies

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e o solo; à noite, a barreira térmica dificulta as trocas térmicas, e ainda libera parte de seu calor para se agregar às superfícies e ao solo. Caso a edificação fosse inserida em Brasília, que possui um clima mais seco que Vitória, as superfícies receberiam mais radiação solar direta e as temperaturas extremas (mínimas e máximas) seriam maiores. Temperatura superficial (Tsu) As superfícies, quando expostas a radiação solar (ondas curtas), normalmente apresentaram temperaturas superiores às temperaturas do ar. O acréscimo de temperatura superficial depende do ângulo de incidência da radiação solar, da cor da superfície, do coeficiente de absorção a ondas curtas e da velocidade do ar. As superfícies absorvem ondas curtas, e transmitem para o meio ondas longas. Movimentação do ar (Var) As direções do vento foram bastante variadas; a maior incidência de ventos com velocidade acima de 0,1m/s foi às 12h30min. No interior da construção, a movimentação do ar é quase imperceptível, apenas formando uma leve corrente no seu sentido longitudinal, nos pontos de medição 6, 8 e 9. Diversas edificações lindeiras constituem barreiras aos regimes naturais de vento na região urbana onde o restaurante está inserido.

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Temperaturas de globo negro no ponto 11.

Temperaturas de globo negro no ponto 12.

75

Temperaturas de globo negro no ponto 13.

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Umidades relativas do ar da área externa. Nota: Os dados foram obtidos a partir das médias dos cinco pontos externos.

Umidades relativas do ar da área interna. Nota: Os dados foram obtidos a partir das médias dos cinco pontos internos.

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Complementarmente a esses dados, avaliou-se a condição de conforto higrotérmico com o auxílio da carta bioclimática de Olgyay, combinada por Antunes (2003) com o gráfico de Rivero (1986) (Anexo F). Considerou-se, de acordo com a NBR-6401(1980), o metabolismo humano médio em área de consumo de restaurante em 123W, somando-se a esse valor 16,3W devido ao calor depreendido dos pratos. Segundo Mesquita, apud Frota e Schiffer (2001), um garçom produz um calor metabólico na faixa de 290W, e uma pessoa lavando pratos produz 175W. Observa-se, analisando-se a Figura 60, que a combinação temperatura do ar acima de 26°C, umidades relativas superiores a 70% e velocidade do ar abaixo de 0,2m/s, traduz-se como uma situação de desconforto. No local estudado, no mínimo requer-se, para obtenção de condições de conforto higrotérmico, promover alguma condição de ventilação, principalmente até às 19h. Tendo-se como referência as temperaturas de globo negro, as TBU e TBS médias máximas e avaliando-as segundo a NR-15(1990), (limites de tolerância para exposição ao calor – Anexo G), obtêm-se o IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo) apresentado no Quadro 6: Quadro 6. Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo

PONTO DATA HORA TBU(°C) TBS(°C) TGN(°C) 11 28/02/04 12h30min 31,0 33,2 34,0 11 28/02/04 18h30min 23,1 26,1 40,0 12 28/02/04 12h30min 31,0 33,2 34,0 12 02/03/04 12h30min 27,3 32,5 34,2 13 28/02/04 12h30min 31,0 33,2 34,0 13 02/03/04 12h30min 27,3 32,5 36,5 Fonte: Elaboração própria e NR-15 (1990) Nota: IBUTG = 0,7*TBU+0,1*TBS+0,2*TGN

IBUTG(°C)* 31,80 29,39 31,80 40,07 31,80 40,53

De acordo com os valores obtidos e considerando-se as atividades de garçons e churrasqueiros como moderada, conforme NR-15(1990), sob essas condições máximas o trabalhador deve possuir um local para descanso, e até IBUTG de 29,4°C trabalhar 30min e descansar 30min. Acima de 31,1°C, medidas adequadas de controle devem ser tomadas visando reduzir esse índice. Ressalta-se que os pontos selecionados foram apenas os que poderiam gerar valores acima do recomendado na NR-15 para trabalho ininterrupto. Entretanto a maioria dos valores encontrase numa situação favorável ao trabalhador do ponto de vista ocupacional-laboral, pela NR-15.

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Lumínica De acordo com os ensaios de refletância, a membrana possui capacidade de reflexão solar da ordem de 74% (vide equação 7). As figuras 51 e 52 apresentam o iluminamento médio difuso externo e interno. Em média, o iluminamento interno manteve-se constante apesar das variações de cobertura do céu e de encobrimento do sol. No ambiente interno, o iluminamento alcançou máximas de 6,4klux nos horários de 9h e 12h30min. Segundo a norma NBR-5413(1982), para pessoas com até 55 anos praticando tarefas que demandam velocidade e precisão médias, o mínimo requerido em restaurante é 150 lux. Apenas com a iluminação natural alcançaram-se médias muito maiores que 150 lux. À noite, com iluminação artificial e indireta, nas áreas de refeição e balcão do caixa, alcançou-se uma média de 35 lux. Este valor, para o cliente, que está numa situação de lazer, é considerado agradável, visto que acima de 30 lux, já atenderia. Entretanto, para os funcionários do bar, os garçons e o caixa, é baixo, necessitando de implementações. Como resultados das lonas ensaiadas, têm-se percentuais médios de transparência variando de aproximadamente 1% a 20%, segundo o Quadro 7. Esse percentual varia de acordo com a base da lona, com a trama, o n° de dtex por filamentos, e os demais revestimentos.

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Quadro 7. Percentual médio de transparência em membranas.

FERRARI

VERSEIDAG

MEHLER

Membrana

Percentual médio de transparência (%)

FR 700 MEHATOP F TIPO I

7

FR 900 MEHATOP F TIPO II

7

FR 1000 MEHATOP F TIPO III

6

FR 1400 MEHATOP F TIPO IV

5

B 1015

12

B 1915/2A TIPO III

5

B 18089

2

PRÉCONTRAINT 502 branca 8100 translúcida

12

PRÉCONTRAINT 702 branca 8103 black out

0,9

PRÉCONTRAINT 1202 fluotop T

10

Fonte: valores determinados experimentalmente pela autora.

Iluminância média externa. Radiação difusa. Nota: Os valores aproximados do 0 estão na faixa de 6 a 80lux.

80

Iluminância média interna. Radiação difusa. Nota: Os valores aproximados do 0 estão na faixa de 6 a 80lux.

Acústica Para análise da exposição acústica, descartaram-se valores que agregassem ruídos de aviões. Segundo a tabela 1 da norma NBR-10152(1997), é considerada a faixa de 40 a 50dB, para os níveis de ruído requeridos para restaurante; níveis superiores a esses recomendados são considerados de desconforto. A norma NBR-10151(2000), que trata de avaliar o ruído em áreas habitadas mistas predominantemente residenciais; visando ao conforto da comunidade consideram-se confortáveis para o período diurno valores até 55dB e noturno até 50dB. Analisando-se as figuras 53 e 54, pode-se afirmar que, apenas em alguns dias, no horário de 6h da manhã, o local atendia às normas de conforto. Do ponto de vista ocupacional, segundo a NHO-01(1999), pode-se dizer que para uma pessoa trabalhando durante 8 horas, o local não apresenta risco de danos de saúde, visto que o nível de exposição normalizado é 85dB (sem proteção auditiva); esse valor ocorre eventualmente em períodos mais curtos de duração, em fins de semana. Normalmente os valores ficaram entre 60 e 75dB.

81

Observa-se também que, internamente, o ruído noturno, em especial com a casa lotada, é maior que externamente. O efeito coquetel - ou seja, a conversação cada vez mais alta nas mesas, visando alcançar inteligibilidade - ocasionado pelo grande número de pessoas com a casa lotada, foi a fonte de ruído que mais contribuiu para os níveis de ruído mais altos. Dessa forma, as pessoas eram a fonte e os receptores do próprio ruído. Quando o restaurante se encontrava vazio, as fontes principais de ruídos internos foram os equipamentos, como motores elétricos funcionando, que causaram desconforto. As estruturas de membrana tensionadas possuem, como característica, superfícies lisas e refletivas. Associando-se a mobiliário e pisos refletivos aumenta a reflexão do som e o tempo de reverberação.

Nível de ruído - área externa.

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Nível de ruído - área interna.

Avaliação qualitativa A avaliação qualitativa foi realizada a partir de um questionário de satisfação aplicado aos usuários (Quadro 8). Os valores encontrados quantitativamente correspondem aos encontrados no questionário. As avaliações de satisfação do usuário foram feitas em condições ambientais adversas variando de céu claro a encoberto e chovendo em determinados momentos. Mesmo assim, a análise subjetiva dos questionários mostrou que sob essas condições os clientes estavam satisfeitos, estabelecendo-se um grau de insatisfação baixo e pontual em determinados horários do dia, de acordo com as condições ambientais. Térmica Nas refeições de almoço, com relação à ventilação: 

cerca de 6,3% dos usuários classificaram o ambiente do restaurante como intolerável;



37,5% dos usuários consideraram-na aceitável no restaurante;



18,8% consideraram como confortável;



28,1% acharam agradável;



15,7% disseram estar muito confortável.

Acrescentou-se que algumas vezes havia vento excessivo, e outras a falta de circulação de ar.

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Com relação à temperatura: 

cerca de 6,2% dos usuários classificaram o ambiente do restaurante como intolerável;



46,9% dos usuários conceituaram o restaurante como aceitável;



21,9% consideraram-no confortável;



28,2% acharam-no agradável;



nenhum dos entrevistados disse estar muito confortável.

Termos como abafado foram inclusos nos questionários. Nas refeições de jantar, com relação à ventilação: 

nenhum dos usuários classificou o ambiente do restaurante como intolerável;



8,8% dos usuários conceituaram o restaurante como aceitável;



17,6% consideraram-no confortável;



43,9% acharam-no agradável;



17,6% disseram estar muito confortável.

Houve reclamação a respeito de ventos com chuva e da falta de vento no local, combinada ao excesso de mosquitos por volta das 18h30min. Com relação à temperatura: 

cerca de 2,9% dos usuários classificaram o ambiente do restaurante como intolerável;



20,6% dos usuários conceituaram o restaurante como aceitável;



11,8% consideraram-no confortável;



47% acharam-no agradável;



20,6% disseram estar muito confortável.

De forma geral, o período noturno apresentou melhores resultados, em especial na temperatura e ventilação. Lumínica No período de almoço, com relação à iluminação natural: 

nenhum dos usuários classificou o ambiente do restaurante como intolerável;



9,4% dos usuários conceituaram o restaurante como aceitável;

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21,9% consideraram-no confortável;



50% acharam-no agradável;



21,9% disseram estar muito confortável.

Alguns clientes disseram ser a iluminação excessiva, principalmente em dias de céu claro, reclamaram de ofuscamento e criticaram radiação solar direta vespertina em algumas mesas. Entretanto, em dias parcialmente encobertos, ou encobertos, os usuários elogiaram o desempenho lumínico da tensoestrutura. No jantar, o nível de iluminamento foi apontado como: 

nenhum dos usuários classificou o ambiente do restaurante como intolerável;



11,7% dos usuários conceituaram o restaurante como aceitável;



35,3% consideraram-no confortável;



32,3% acharam-no agradável;



20,6% disseram estar muito confortável.

A iluminação indireta foi apontada como um fator positivo. Acústica Com relação ao nível de ruídos no almoço: 

nenhum dos usuários classificou o ambiente do restaurante como intolerável;



18,8% dos usuários conceituaram o restaurante como aceitável;



34,4% consideraram-no confortável;



28,1% acharam-no agradável;



18,8% disseram estar muito confortável.

O nível de ruído foi apontado como um ponto negativo do restaurante. Com relação ao nível de ruídos no jantar: 

nenhum dos usuários classificou o ambiente do restaurante como intolerável;



44,1% dos usuários conceituaram o restaurante como aceitável;



20,6% consideraram-no confortável;



29,4% acharam-no agradável;



5,8% disseram estar muito confortável.

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O nível de ruído quando o restaurante está lotado foi considerado um ponto negativo.

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Quadro 8. Resultados da pesquisa de satisfação realizada no Restaurante Sombra do Mar.

RUÍDO

ILUMINAÇÃO

TEMPERATURA

VENTILAÇÃO

QUESTIONÁRIO/DATA 26/02 27/02 28/02 29/02 01/03 02/03 % Idade A J A J A J A J A J A J Total total A I < 16 anos 0 0 0 16 ≤ i ≤ 25 1 3 1 2 1 1 2 11 16,7 6 26 ≤ i ≤ 35 1 2 3 3 3 4 2 2 2 22 33,3 12 36 ≤ i ≤ 50 2 2 2 6 3 6 4 2 27 40,1 11 I > 50 1 1 1 1 1 1 6 9,1 3 Total 5 5 5 11 8 11 10 0 4 4 0 3 66 100 32 M 0 0 0 intolerável F 1 1 2 3 2 M 1 1 3 1 3 9 13,6 7 aceitável F 1 1 1 1 4 6,1 3 M 1 2 3 4,5 2 confortável F 1 2 2 2 2 9 13,6 4 M 1 1 1 2 3 1 1 1 11 16,7 4 agradável F 1 2 2 6 2 3 1 17 25,8 5 M 1 4 1 1 7 10,6 2 muito confortável F 1 1 1 1 4 6,1 3 M 1 1 2 3 1 intolerável F 1 1 1,5 1 M 2 2 1 4 9 13,6 6 aceitável F 1 1 1 2 2 1 2 1 11 16,7 7 M 1 1 1,5 1 confortável F 1 3 3 1 1 1 10 15,2 6 M 2 4 1 3 2 1 1 14 21,2 6 agradável F 1 1 4 2 2 1 11 16,7 3 M 1 2 1 4 6,1 0 muito confortável F 1 1 1 3 4,5 0 M 0 0 0 intolerável F 0 0 0 M 1 1 1 3 4,5 1 aceitável F 2 1 3 4,5 2 M 1 2 1 3 1 1 1 10 15,2 3 confortável F 1 1 2 3 1 1 9 13,6 4 M 1 3 1 1 3 1 1 11 16,7 8 agradável F 2 1 4 3 1 2 2 1 16 24,2 8 M 2 2 2 6 9,1 4 muito confortável F 1 1 3 2 1 8 12,1 3 M 0 0 0 intolerável F 0 0 0 M 1 1 2 3 1 8 12,1 3 aceitável F 2 1 8 1 1 13 19,7 3 M 1 1 2 1 3 1 9 13,6 6 confortável F 2 4 1 1 1 9 13,6 5 M 1 1 2 1 3 1 9 13,6 4 agradável F 2 1 1 3 1 2 10 15,1 5 M 1 1 1 1 4 6,1 3 muito confortável F 2 1 4 6,1 3 Notas: Sendo que A=almoço, J=jantar, F=feminino, M=masculino. Os resultados foram avaliados somando-se as porcentagens de satisfação masculina e feminina.

% A 0 18,8 37,5 34,4 9,4 48,5 0 6,3 28,1 9,4 6,3 12,5 12,5 15,6 6,3 9,4 3,1 3,1 18,8 28,1 3,1 18,8 18,8 9,4 0 0 0 0 3,1 6,3 9,4 12,5 25 25 12,5 9,4 0 0 9,4 9,4 18,8 15,6 12,5 15,6 9,4 9,4

J 0 5 10 16 3 34 0 0 2 1 1 5 7 12 5 1 1 0 3 4 0 4 8 8 4 3 0 0 2 1 7 5 3 8 2 5 0 0 5 10 3 4 5 5 1 1

% J 0 14,7 29,4 47,1 8,8 51,5 0 0 5,9 2,9 2,9 14,7 20,6 23,3 14,7 2,9 2,9 0 8,8 11,8 0 11,8 23,5 23,5 11,8 8,8 0 0 5,9 2,9 20,6 14,7 8,8 23,5 5,9 14,7 0 0 14,7 29,4 8,8 11,8 14,7 14,7 2,9 2,9

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Avaliação dos aspectos estruturais A tensoestrutura apresentada demonstra o principio anticlástico já citado no item 2.1.3, e nas Figuras 55 e 56 visualiza-se como agem os esforços.

Vista frontal de tensoestrutura.

Vista aérea tensoestrutura, onde visualiza-se o princípio da dupla curvatura.

Partindo do cálculo sugerido por ASCE (1996) para um estudo preliminar das tensões (Anexo H) nas tensoestruturas tem-se que para um raio de 11,49m gera-se uma tensão de 8,85kN/m.

Avaliação dos aspectos arquitetônicos O aspecto formal da tensoestrutura atende muito bem esteticamente, entretanto do ponto de vista ambiental a forma da tensoestrutura poderia ter sido mais trabalhada. O aro de sustentação do ápice poderia ser maior e a distância entre o aro e o cone também, estimulando assim o efeito chaminé, ou seja, que facilitasse a movimentação para o exterior do ar quente ascendente, criando melhores condições de circulação do ar no restaurante. Entretanto o

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aspecto térmico, em condições severas em dias de verão, ainda causaria transtornos. O pédireito estabelecido nas bordas da membrana poderia ser incrementado, visando a aumentar a movimentação de ar. O uso de ventilação artificial, como ventiladores, ou exaustores, seria uma alternativa para essa estação do ano, com a ressalva de esses equipamentos poderem agregar um transtorno acústico. A escolha dos revestimentos em geral deve ser feita evitando materiais que reflitam muito a radiação solar ou que tenham grande poder de armazenar o calor nas superfícies, em especial em climas quentes e úmidos, como Vitória-ES, para não haver retenção térmica no ambiente interno advindo do piso no período noturno. A cor da edificação também é relevante, e no estudo de caso, a escolha do branco para a membrana foi a melhor do ponto de vista de reflexão de radiação solar. A área fixa que contém a churrasqueira, a cozinha e o bar poderia ter sido inserida ao norte do terreno, visando gerar um maior conforto aos usuários. Para o caso de tensoestruturas abertas e semi-abertas, o ideal é evitar projetá-las em lotes confinados, para que as mesmas não tenham o desempenho ambiental prejudicado por conta da influência de edificações vizinhas. O ofuscamento percebido pelos usuários, em dias com níveis de iluminamento externo muito altos, pode ser minimizado com o uso de duplas camadas, cores, ou a mesclagem de lonas com black out e lonas menos translúcidas; existem várias lonas com índice de transparência diferentes, que devem ser escolhidos visando ao bem estar do usuário. Os materiais componentes da tensoestrutura, basicamente compostos da membrana, possuem baixa espessura, baixo amortecimento, baixa inércia térmica, baixa resistência térmica, alta refletância, boa translucidez. Essas características devem ser entendidas e adequadamente combinadas, para que o projetista tenha completo domínio sobre projetos dessa natureza.

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CONCLUSÕES Tomando como base o estudo de caso, concluiu-se que as variáveis avaliadas comportaram-se de forma muito semelhante, tanto interna quanto externamente. A tensoestrutura se comportou como um “campo semi-aberto”. Por se tratar de um espaço semi-aberto, variáveis como temperatura e umidade são semelhantes às externas sendo mais difícil controlá-las. A ventilação pode ser induzida por meio de efeito chaminé, ou por meios ativos. Do ponto de vista ocupacional-laboral, a iluminação artificial precisa ser mais bem resolvida, principalmente no período noturno. A iluminação natural atende muito bem às necessidades dos usuários, porém, dispositivos retráteis para minimizar ofuscamento em dias de céu claro e sol descoberto devem ser elaborados. Em termos acústicos, está na zona de desconforto para usuários e comunidade, ou seja, os valores encontrados estão acima de 50dB, porém, abaixo de 85dB (acima desse valor causaria risco auditivo à saúde do trabalhador). A alta refletividade sonora do material, associada ao grande número de pessoas no local em determinados horários - em torno de 100 – gera o efeito coquetel, no qual as pessoas foram fonte e receptoras de ruído simultaneamente. Termicamente, em dias com probabilidade de a temperatura máxima superar 27°C, considerando-se a churrasqueira ligada, providências são necessárias, tanto do ponto de vista ocupacional pelos usuários/freqüentadores como do ponto de vista laboral. Considerando-se o caso estudado, é necessário realçar a questão projetual de tensoestruturas quanto ao fenômeno de convecção. Nesse sentido, as tensoestruturas semi-abertas deveriam privilegiar espaços livres em seu entorno, preferencialmente vegetados em climas quentes. Deve-se evitar a implantação confinando a tensoestrutura no lote. No caso estudado, aplicada à carta de Olgyay e um metabolismo da ordem de 123W, o ambiente estava demasiadamente úmido e quente, durante o período de medições, necessitando de movimentação de ar na faixa de 1,0m/s.

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Ainda que em dias quentes haja a necessidade de aumentar a ventilação, cuidados devem ser tomados ao implantar uma solução. A ventilação ativa, ou seja, uso de ventilação artificial, pode acarretar um aumento indesejado no nível de ruído. De forma geral, pode-se afirmar que as tensoestruturas por serem constituídas de membrana, possuem características arquitetônicas e construtivas que tendem, em determinadas condições de exposição, conduzir a condições térmicas, lumínicas e acústicas desconfortáveis para os usuários. Estrutural e ambientalmente, as condições de exposição ao vento são uma das mais relevantes e devem ser controladas no processo do projeto, visando assim garantir estabilidade, segurança e conforto. No aspecto formal, as diversas formas que o sistema construtivo possibilita criar, atendem aos mais variados usos, desde que exista um conhecimento de suas características e propriedades. O uso de mais de uma camada auxilia num melhor desempenho ambiental da tensoestrutura. Para o caso estudado, nesta pesquisa, seria recomendado: 

aumentar o pé-direito da tensoestrutura, principalmente as partes baixas das extremidades;



aumentar o diâmetro dos anéis de sustentação dos cones de acabamento da tensoestrutura;



utilizar de recursos para melhorar a ventilação natural, incorporadas aos anéis de suporte;



usar vegetação e materiais mais absorventes nas superfícies externas, visando a reduzir o efeito coquetel.

Pode-se citar, de forma geral para tensoestruturas, as seguintes recomendações: 

pés-direitos devem ser altos, inclusive nas bordas, para facilitar a movimentação de ar;



uso de múltiplas camadas de lona, formando um “sanduíche”, ou seja, intercaladas com ar ou materiais que criem um maior isolamento térmico, acústico e lumínico;



atenção no projeto, incorporando soluções para implementar a ventilação natural, seja higiênica ou para conforto;



uso de vegetação e de materiais mais absorventes nas superfícies externas, visando a reduzir o efeito coquetel;



evitar inserir tensoestruturas abertas ou semi-abertas em lotes confinados;



estudo do pé-direito adequado a cada projeto específico, em função do partido arquitetônico adotado, dos elementos estruturais, dos ventos e da incidência solar, das umidades relativas nos horários de uso e das condições e finalidade da ocupação.

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A partir deste trabalho, alguns assuntos devem merecer mais estudos, como: 

pesquisas com modelos confeccionados em escala reduzida, em formas variadas, sobre o aspecto ambiental, se possível recorrendo-se a ensaios em túneis de vento;



pesquisas do mesmo modelo, em escala reduzida, com uma, duas e múltiplas camadas;



pesquisas do mesmo modelo em escala, com vários tipos de lona;



pesquisas sobre o material da membrana, para determinação de propriedades, e melhor capacidade de proteção aos raios infra-vermelhos, inclusive quanto a emissividade.

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GLOSSÁRIO Absortância em ondas longas (αol): quociente da taxa de radiação de ondas longas que é absorvida por uma superfície pela taxa de radiação de ondas longas incidente sobre esta superfície. Absortância à radiação solar (α): quociente da taxa de radiação solar absorvida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma superfície. Anisotropia: característica de um material em que as propriedades físicas não são as mesmas em todas as direções.

Agentes ambientais: variáveis da ambiente físico e institucional que influem sobre a edificação e seus usuários, descritas, em princípio, apenas qualitativamente; caracterizam os fenômenos ou entes de origem interna ou externa que podem influir no desempenho da parte constituinte. Para caracterizá-los é necessário definir, genericamente, o possível cenário da edificação. Ambiente construído: todo ambiente erigido, moldado ou adaptado pelo homem. São artefatos humanos ou estruturas físicas realizadas pelo homem. Anticlástico: superfície com dupla curvatura, sendo uma curvatura em direção positiva e a outra em direção negativa, formando uma sela. Atraso térmico (φ): tempo transcorrido entre uma variação térmica em um meio e sua manifestação na superfície oposta de um componente construtivo submetido a um regime periódico de transmissão de calor (unidade: h). Atributos de desempenho: expressões do real comportamento de um produto de construção ou de uma edificação; consistem na aplicação dos métodos de ensaio para desempenho em um sistema edificação, ou parte constituinte, avaliando o seu nível de desempenho por meio da valoração das propriedades em uso. Avaliação pós-ocupação (APO): avaliação retrospectiva (no sentido de repensar o projeto após sua implantação e entrada em uso) de ambientes construídos. Adotada para diagnosticar e recomendar, segundo uma visão sistêmica e realimentadora, modificações e reformas no ambiente objeto da avaliação e para aprofundar o conhecimento sobre este ambiente, tendo-se em vista futuros projetos similares. É aplicada através de multimétodos e técnicas e leva em conta o ponto de vista dos especialistas/avaliadores e dos usuários dos ambientes, leigos ou não. Comportamento: conjunto de atitudes e reações do indivíduo em face do meio a que está submetido. Condução (térmica): modo de transferência de calor em que a troca de energia tem lugar da região de alta temperatura para a de baixa temperatura, provocada pelo movimento cinético ou pelo impacto de moléculas, no caso de fluidos em repouso, e pelo movimento de elétrons, no caso de metais. Conforto: bem-estar sensitivo-material percebido pelo usuário típico de uma edificação, decorrente da combinação adequada das variáveis físicas intervenientes no processo de trocas de energia com o corpo. Condutividade térmica (λ): propriedade física de um material homogêneo e isótropo, no qual se verifica um fluxo de calor constante, com densidade de 1 Watt/m2, quando submetido a um gradiente de temperatura uniforme de 1 kelvin/m (unidade: W/m*K). Convecção: modo de transferência de calor, por diferença de temperaturas, em razão do escoamento de um fluido em contato com um corpo sólido. Critérios de desempenho: parâmetros relacionados à manutenção dos níveis de desempenho da edificação, necessários à realização normal das atividades dos usuários; devem ser

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entendidos como parâmetros padrões de aceitabilidade, que permitem julgar se uma opção atende ou não a um objeto de comportamento em uso. Densidade de fluxo de calor ou densidade de taxa de fluxo de calor (q): quociente do fluxo de calor que atravessa uma superfície pela área dessa superfície (unidade: W/m2). Desempenho: no sentido de comportamento em uso, serve para caracterizar o fato de que um produto deve apresentar certas propriedades que o capacitem a cumprir sua(s) função(ões), quando sujeito a certas ações de uso e ambientais. Difusidade térmica (α): quociente de condutividade térmica de um material (λ) pela sua capacidade de armazenar energia térmica (ρc). Dtex: unidade de medida de fios, utilizados por filamento, para confecção do tecido da membrana. Elementos: produtos para parte da edificação, destinados a cumprir um conjunto amplo de funções, atendendo a uma ou mais necessidades; ex: a membrana tensionada. Emissividade (ε): quociente da taxa de radiação emitida por uma superfície pela taxa de radiação emitida por um corpo negro, à mesma temperatura. Emitância (E): taxa de emissão de radiação por unidade de área (unidade: W/m2). Fibras warp: fibras que se dispõem na maior direção do tecido (direção de urdura), no sentido do comprimento. Fibras weft ou fill: fibras que se dispõem na menor direção do tecido (direção de trama), em sentido ortogonal às fibras warp, no sentido da largura. Habitabilidade: capacidade do projeto ou do ambiente construído em corresponder psicofisicamente às necessidades dos habitantes, os usuários. Inicialmente o termo era adotado no caso de ambientes residenciais, mas hoje é extensivo a qualquer modalidade ambiental. Iluminamento: fluxo luminoso incidente e uniformemente distribuído na direção normal a uma unidade de área plana, ou seja, é luz atingindo uma superfície. Irradiância (G): taxa de radiação, incidente sobre um corpo, por unidade de área da superfície (unidade: W/m2). Inteligibilidade: de palavras ou de sílabas, é a relação entre o número das perfeitamente percebidas e o número das pronunciadas. Esta não deve ser inferior a 0,7 para que a acústica do ambiente seja considerada boa, embora somente para relações superiores a 0,8 é que a percepção se torna clara e segura. Isotropia: característica de uma superfície na qual as propriedades físicas são as mesmas em todas as direções. Lona, manta, membrana: tecido, em geral pré-tracionado, com camada de revestimento que garante impermeabilização à prova d’água e proteção a outros agentes agressores. Luminância: limite da relação entre a intensidade luminosa emitida numa certa direção por uma fonte de área elementar e a projeção dessa área elementar num plano normal à direção considerada, ou seja, é luz sendo emitida por uma superfície ou fonte. Nível de som: nível de pressão acústica (sonora) compensado, obtido pelo uso de medidores que obedecem às características e calibragem contidas na NBR7731, e expresso por três escalas denominadas A, B e C. Nível de pressão acústica (intensidade sonora): aquele expresso em decibéis, igual a 20 vezes o logaritmo decimal de uma pressão acústica (sonora) a medir, com relação a uma outra pressão acústica (sonora), denominada de referência. Nível de pressão acústica: pressão convencionalmente escolhida e igual a 2x105Pa.

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Ofuscamento: condição que implica desconforto ou redução (ou ambos) na visão de objetos, devido a distribuição inadequada de iluminâncias ou a contrastes violentos no espaço ou no tempo. Propriedades em uso: características apresentadas por uma edificação, ou parte constituinte, quando submetida a um determinado conjunto de condições ambientais; relacionam-se com o comportamento em uso e não simplesmente aos aspectos físicos dos materiais constituintes. São definidas através da fixação de variáveis de controle de qualidade para as alternativas propostas. Protensão: estado de tensão que normalmente é induzido na estrutura do tecido durante a fabricação e por meio de cabos, durante a montagem. Radiação: modo de transferência de calor de um corpo para outro, devido à emissão contínua de energia por ondas eletromagnéticas, em função da temperatura. Refletância à radiação solar (ρ): quociente da taxa de radiação solar refletida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma superfície. Refletância em ondas longas (ρol): quociente da taxa de radiação de ondas longas que é refletida por uma superfície pela taxa de radiação de ondas longas incidente sobre esta superfície. Requisitos de desempenho: definições quantitativas das características que uma parte constituinte deve apresentar, para as condições de exposição de um determinado local, a fim de atender às necessidades dos usuários. Requisitos dos usuários: enunciados qualitativos relacionados aos níveis de desempenho a serem atendidos numa edificação submetida a certas condições ambientais. Resistência térmica de elementos e componentes (R): quociente da diferença de temperatura verificada entre as superfícies de um elemento ou componente construtivo pela densidade de fluxo de calor, em regime estacionário (unidade: m2•K/W). Sinclástico: superfície com dupla curvatura, sendo ambas em direção positiva. Soquete: peça de fixação do cabo de ancoragem ao olhal. Transmitância à radiação solar((‫چ‬: quociente da taxa de radiação solar que atravessa um elemento pela taxa de radiação solar incidente sobre este mesmo elemento. Temperatura ar-sol: temperatura fictícia que representa o efeito combinado da radiação solar incidente no fechamento e dos intercâmbios de energia por radiação e convecção entre a superfície e o meio envolvente (unidade: °C). Temperatura de bulbo seco (TBS): temperatura do ar medida por um termômetro com dispositivo de proteção contra a influência da radiação térmica (unidade: °C). Temperatura de bulbo úmido (TBU): temperatura à qual a evaporação de água conduzirá uma massa de ar úmido, por meio de um processo isobárico de saturação adiabática (unidade: °C). Temperatura radiante média (Trm): Temperatura uniforme de um ambiente imaginário no qual a troca de calor do corpo humano por radiação é igual a troca de calor por radiação no ambiente real não uniforme (unidade: °C) Tempo de reverberação: tempo necessário para que um som deixe de ser ouvido, após a extinção da fonte sonora. O tempo de reverberação é o tempo necessário para que o som sofra um decréscimo de intensidade de 60dB (unidade: s). Usuário: pessoa, animal, vegetal ou objeto para o qual a edificação é destinada.

100

ANEXOS

101

ANEXO A

Planta de situação do restaurante Sombra do Mar (escala 1/5500). Fonte: Prefeitura de Vitória, (2004).

102

ANEXO B

Planta de situação do restaurante Sombra do Mar escala (1/2500). Fonte: Prefeitura de Vitória, (2004).

103

ANEXO C

Planta Baixa de restaurante Sombra do Mar e pontos de medição.

104

Corte tensoestrutura – pontos de medição internos e respectivas alturas.

105

ANEXO D PESQUISA DE SATISFAÇÃO / MESTRADO EM CONSTRUÇÃO CIVIL - UFES

Data:_____________Horário:____________Mesa:____________Sexo: F ( ) M (

2 – O que mais atraiu o(a) sr(a) ao restaurante Sombra do Mar foi (por favor marcar apenas dois itens):

1 - Faixa etária do cliente: ( ( ( ( (

)

) abaixo de 16 anos ) de 16 a 25 anos ) de 25 a 35 anos ) de 35 a 50 anos ) acima de 50 anos

( ( ( ( ( ( ( ( (

) a gastronomia ) a estética diferenciada ) a proximidade de sua residência ) a estrutura física do restaurante ) o convite de amigos ) o preço ) o conforto gerado pela cobertura ) o atendimento ) outros___________________________________

3 - Qual a sua avaliação sobre a ventilação do ambiente? 1_______________ ______________5_______________ ________________10 Intolerável Aceitável Confortável Agradável Muito confortável 4 – Como está a temperatura: 1_______________ ______________5_______________ ________________10 Intolerável Aceitável Confortável Agradável Muito confortável 5 – O nível de iluminação está: 1_______________ ______________5_______________ ________________10 Intolerável Aceitável Confortável Agradável Muito confortável 6 – O nível de ruído está: 1_______________ ______________5_______________ ________________10 Intolerável Aceitável Confortável Agradável Muito confortável 7. Na sua opinião, quais são os dois principais pontos positivos, referentes aos itens 3 a 6, do ambiente do restaurante: 7a 7b – 8. Na sua opinião, quais são os dois principais pontos negativos, referentes aos itens 3 a 6, do ambiente do restaurante: 8a 8b – 9 – Marque o local em que está sentado na planta do restaurante: MURO H= 110

MURO H= 110

PAREDE H= 315

PAREDE H= 315

PLANTA BAIXA - ESC. GRÁFICA 0 10 20 50

100

200

400 cm

106

ANEXO E MECANISMOS DE TROCAS TÉRMICAS CONVECÇÃO: troca de calor entre dois corpos, sendo um sólido e outro fluido. qc = hc (t-ø) (8) Sendo: qc – intensidade do fluxo térmico envolvido no mecanismo de troca por convecção (W/m2) hc – coeficiente de trocas térmicas por convecção (W/m2°C) t – temperatura do ar (°C) ø – temperatura da superfície do sólido(°C) Segundo Frota e Schiffer no caso de convecção natural para superfícies verticais, como o muro do estudo de caso é adotado hc = 4,7 W/m2°C. Tomando-se a temperatura média externa máxima e a temperatura superficial do muro externa do dia 27/02 as 15:30. qc = 4,7 (34,3-32,9) qc = 6,58 W/m2 RADIAÇÃO: troca de calor entre dois corpos, que guardam entre si uma distância qualquer, através de sua capacidade de emitir e absorver energia térmica (eletromagnética). qr = hr (ø – ør) (9) qr – intensidade do fluxo térmico por radiação (W/m2) hr – coeficiente de trocas térmicas por radiação (W/m2°C) ø – temperatura da superfície da parede considerada (°C) ør – temperatura radiante relativa às demais superfícies (°C) Segundo Frota e Schiffer (2001) no caso de convecção natural para superfícies verticais, como o muro do estudo de caso é adotado hr = 5 W/m2°C e temperatura radiante máxima do dia 28/02/04, às 18h30min. qr = 5 (40 – 26,1) qr = 5 (13,9) qr = 69,5 W/m2 Admite-se ε=0,25; Considerando αmemb= 20% e ρmemb=74% e δmemb=6% Considerando movimentação do ar na ordem de 1,0m/s hs≈10W/m2 e às 15h, e Ig = 600W/m2 Tsol-ar= αoc*Ig (10) hs Tsol-ar≈12°C qr = ε*δ*A*T4 (11) qrOC≈140W/m2 e qrOL≈30W/m2 qconv= 4,7*0,5 ≈ 3W/m2 CONDUÇÃO: troca de calor entre dois corpos sólidos que se tocam ou mesmo partes do corpo que estejam a temperaturas diferentes. qcd = λ (øe - øi) (12) e

107

e – espessura da parede (m) øe – temperatura da superfície externa da envolvente (°C) øi – temperatura da superfície interna da envolvente (°C) λ – coeficiente e condutibilidade térmica do material (W/m°C) r – resistência térmica específica da parede

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Como r = λ tem-se qcd = (øe - øi) (W/m2) (13) e r Segundo Frota e Schiffer (2001), o tijolo de concreto furado possui λ = 0,91. r = 20 0,91 Para a Tsu do dia 28/02/04 às 15h30min tem-se: qcd = (29,2-29,1) = 4,55x10-3W/m2 21,98

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ANEXO F

Aplicação da carta bioclimática de Olgyay para condições de verão, no horário de 8h às 18h. associado ao metabolismo de um homem adulto vestindo aproximadamente 0,8 clo e gerando ≈123W por atividade e ≈16W pelos pratos quentes servidos. Fonte: Adaptado de Antunes, (2003).

110

ANEXO G Limites de Tolerância para Exposição ao Calor (NR-15) A exposição ao calor deve ser avaliada através do “Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo – IBUTG. IBUTG = 0,7 TBU + 0,1 TBS + 0,2 TGN

(14)

Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido segundo o Quadro 9. Quadro 9. Limites de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço. Regime de Trabalho Intermitente com Descanso no Próprio Local de Trabalho (por hora)

Trabalho contínuo 45 minutos de trabalho 15 minutos de descanso 30 minutos de trabalho 30 minutos de descanso 15 minutos de trabalho 15 minutos d edescanso Não é permitido o trabalho sem a adoção de medidas adequadas de controle

Tipo de Atividade

Leve

Moderada

Pesada

Até 30,0 30,1 a 30,6

Até 26,7 26,8 a 28,0

Até 25,0 25,1 a 25,9

30,7 a 31,4

28,1 a 29,4

26,0 a 27,9

31,5 a 32,2

29,5 a 31,1

28,0 a 30,0

Acima de 32,2

Acima de 31,1

Acima de 30,0

111

ANEXO H Cálculo de tensão para estudo de caso Partindo-se da menor curva catenária do estudo de caso, e calculando-se a tensão a partir de ASCE (1996)/item 2.1.3, tem-se: Corda (C) – 9,66m Flecha (S) – 0,575m Pressão (P) – 0,77kN/m2 Dimensão do Arco (A) Mudança de Dimensão do Arco (LA) R= (C2+4S2)/8S (1) R=20,57m T= P*R (2) T=15,84kN/m A={ (C2+4S2)/4S } * cos-1 { (C2-4S2)/(C2+4S2) } (3) A=9,84m Sendo o módulo de elasticidade de E = 1200kN/m: LA=TA/HE (4) LA=0,1312m De acordo com equação (5) novo arco é: A=9,97m A equação transcedental C=2Rsen(A/2R) (6) foi resolvida por um processo de tentativas e o resultado encontrado para o novo raio de curvatura foi de 11,49m. A tensão na membrana associada com este raio de curvatura, segundo a equação (2) é: T=0,77*11,49=8,85kN/m

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